O câncer de ovário (CO) permanece como uma das neoplasias ginecológicas mais letais, caracterizado por evolução silenciosa, diagnóstico tardio e elevada mortalidade, especialmente em estágios avançados.
Estudos epidemiológicos mostram que mais de 60% das pacientes são diagnosticadas em fases III ou IV, quando a doença já apresenta disseminação peritoneal e resposta terapêutica mais limitada (Torre et al., 2018).
A fisiopatologia complexa, envolvendo mutações em BRCA1/BRCA2, inflamação crônica e alterações microambientais, contribui para a agressividade tumoral e para a dificuldade de detecção precoce (Lheureux et al., 2019).
Dessa forma, cresce o interesse por terapias integrativas como forma de complementar o tratamento convencional, reduzir efeitos adversos e melhorar a qualidade de vida das pacientes.
O tratamento-padrão do câncer de ovário inclui cirurgia citorredutora, quimioterapia (QT) baseada em platina e, em casos selecionados, terapias-alvo como inibidores de PARP.
Embora eficazes, esses tratamentos frequentemente causam efeitos colaterais intensos, como fadiga, neuropatia periférica, náuseas, dor e alterações emocionais, que impactam profundamente o bem-estar das pacientes (Matulonis et al., 2016).
Contudo as terapias integrativas ganham relevância, não como substitutas da oncologia convencional, mas como ferramentas complementares capazes de aliviar sintomas e favorecer maior adesão ao tratamento.
Acupuntura
Entre as práticas integrativas, a acupuntura ocupa posição de destaque devido à sua capacidade de modular vias neuroendócrinas, reduzir efeitos adversos da quimioterapia (QT) e melhorar a tolerância global ao tratamento.
Estudos demonstram que a acupuntura reduz significativamente náuseas, vômitos, dor, ansiedade e fadiga, sintomas que afetam de forma intensa a qualidade de vida das pacientes submetidas à QT (Lu et al., 2023).
Esses efeitos são explicados tanto por mecanismos neurofisiológicos quanto por princípios da medicina tradicional chinesa (MTC), que, quando integrados, oferecem uma compreensão mais ampla da intervenção.
Do ponto de vista neurofisiológico, a estimulação de pontos específicos ativa fibras aferentes somáticas que modulam centros autonômicos e núcleos do tronco encefálico relacionados ao controle do vômito, como a área postrema e o núcleo do trato solitário.
Essa modulação reduz a liberação de serotonina pelas células enteroendócrinas (mecanismo central da náusea aguda induzida por QT) e diminui a ação da substância P em receptores NK1, envolvidos na náusea tardia (Huang et al., 2020).
Além disso, a acupuntura promove liberação de endorfinas, encefalinas e dinorfinas, modulando a dor e ansiedade, além de reduzir mediadores inflamatórios sistêmicos, o que contribui para maior tolerância ao tratamento (Lu et al., 2023).
Na MTC, a quimioterapia é interpretada como uma “toxina quente” que consome o yin, prejudica o Qi do estômago e causa rebelião do Qi, manifestada como náuseas, vômitos e perda de apetite.
Por isso, os pontos utilizados combinam ações de harmonização do aquecedor médio, tonificação do Qi e nutrição do yin, além de pontos que atuam diretamente sobre o centro do vômito.
Entre os pontos mais estudados e utilizados, destaca-se o PC6 (Neiguan), considerado o ponto com maior evidência científica para náuseas e vômitos induzidos por QT.
Localizado no antebraço, três dedos acima da prega do punho, entre os tendões do palmar longo e do flexor radial do carpo, o PC6 modula diretamente o centro do vômito, reduz a rebelião do Qi do estômago e regula o nervo vago, sendo recomendado por diretrizes internacionais de oncologia integrativa (Yan et al., 2023).
Ensaios clínicos mostram que sua estimulação reduz as náuseas em até 29% quando associada à farmacoterapia antiemética padrão (Huang et al., 2020).
Outro ponto fundamental é o ST36 (Zusanli), localizado na perna, quatro dedos abaixo da patela e lateral à tíbia.
Na MTC, considera-se que o ST36 tonifica o Qi e o sangue, fortalece o baço e o estômago e melhora a imunidade.
Em pacientes com câncer de ovário (CO), sua estimulação auxilia na recuperação da energia vital, reduz a fadiga e melhora a função digestiva, sendo especialmente útil em períodos de maior toxicidade da QT.
Estudos mostram que o ST36 melhora os parâmetros imunológicos e reduz a inflamação sistêmica, contribuindo para uma melhor tolerância ao tratamento (Lu et al., 2023).
O ponto CV12 (Zhongwan), localizado na linha média do abdome, entre o processo xifoide e o umbigo, é o ponto Mu do estômago e atua diretamente na harmonização do aquecedor médio.
Sua estimulação reduz a estagnação, melhora a digestão e diminui a sensação de plenitude abdominal, sintomas comuns em pacientes com CO submetidas à QT.
Em meta-análises, o CV12 aparece como ponto complementar frequente em protocolos antieméticos (Huang et al., 2020).
Para combater a perda de fluidos corporais e o dano ao yin causado pela QT, utiliza-se o KI6 (Zhaohai), localizado abaixo do maléolo medial.
Na MTC, considera-se que o KI6 nutre o yin, hidrata mucosas e reduz a secura, sendo útil para sintomas como boca seca, constipação e irritabilidade pós-QT.
Embora menos estudado em ensaios clínicos ocidentais, o KI6 é amplamente utilizado em protocolos integrativos e aparece em revisões de prática clínica (Huang et al., 2020).
A combinação desses pontos (PC6, ST36, CV12 e KI6) forma um protocolo robusto que atua tanto na manifestação (náusea e vômito) quanto na raiz do problema (deficiência de Qi, dano ao yin e rebelião do Qi do estômago).
Meta-análises confirmam que os protocolos que incluem esses pontos reduzem náuseas, vômitos, perda de apetite e constipação, além de melhorar o bem-estar geral (Yan et al., 2023).
A eletroacupuntura, especialmente aplicada em PC6 e ST36, potencializa esses efeitos ao promover estímulo contínuo de baixa frequência, aumentando a modulação vagal e a liberação de neurotransmissores analgésicos (Chen et al., 2026).
A aplicação clínica ideal envolve sessões profiláticas 24-48 horas antes da QT, sessões no dia da infusão e sessões adicionais entre três e cinco dias após o tratamento, período de maior incidência de náusea tardia (Chen et al., 2026).
Essa abordagem integrada reduz a necessidade de antieméticos adicionais, melhora a qualidade de vida e favorece uma maior adesão ao tratamento oncológico.
Mindfulness
Outra abordagem amplamente utilizada no cuidado integrativo de pacientes com câncer de ovário (CO) é o mindfulness, que engloba práticas de meditação, respiração consciente e atenção plena.
Mulheres com CO frequentemente enfrentam ansiedade, insônia, medo da recorrência e sofrimento emocional intenso, especialmente durante a quimioterapia e períodos de vigilância pós-tratamento.
Estudos clínicos mostram que intervenções baseadas em mindfulness reduzem significativamente o estresse, os sintomas depressivos e os distúrbios do sono, além de melhorarem a capacidade de enfrentamento emocional (Ngamkham et al., 2019; Arden-Close et al., 2020).
Esses benefícios ocorrem porque o mindfulness modula redes neurais relacionadas à regulação emocional, como o córtex pré-frontal medial, a amígdala e o córtex cingulado anterior, reduzindo a hiperativação autonômica e as respostas de medo associadas ao diagnóstico e ao tratamento oncológico (Reich et al., 2017).
A prática regular de mindfulness também reduz os níveis de cortisol, melhora a variabilidade da frequência cardíaca e diminui a inflamação sistêmica, fatores que contribuem para uma maior tolerância ao tratamento e melhor qualidade de vida (Ngamkham et al., 2019).
Além disso, pacientes relatam maior sensação de controle sobre a própria experiência de adoecimento, o que é particularmente relevante em um câncer marcado por imprevisibilidade e alta taxa de recorrência (Arden-Close et al., 2020).
A integração entre mindfulness e acupuntura potencializa esses efeitos.
Embora o mindfulness atue predominantemente em circuitos corticais e autonômicos, a acupuntura modula vias somatossensoriais, neuroendócrinas e inflamatórias, criando uma intervenção sinérgica.
Em pacientes com CO, pontos de acupuntura específicos são utilizados para reforçar os efeitos calmantes, reguladores e estabilizadores do mindfulness.
O ponto Yintang, localizado entre as sobrancelhas, é amplamente empregado para reduzir a ansiedade, inquietação mental e insônia.
Sua estimulação ativa regiões do sistema límbico, reduzindo a atividade da amígdala e promovendo uma sensação de tranquilidade, efeitos que são semelhantes aos observados em práticas de mindfulness (Chen et al., 2026).
Outro ponto fundamental é GV20 (Baihui), no topo da cabeça, que na MTC “eleva o Shen” e estabiliza o humor.
Estudos mostram que o GV20 modula ondas cerebrais alfa, associadas a estados meditativos e relaxamento profundo (Chen et al., 2026).
Para pacientes com CO que apresentam ansiedade somática, palpitações e tensão torácica, utiliza-se o PC6 (Neiguan), ponto que regula o nervo vago, reduz a hiperatividade simpática e melhora a variabilidade da frequência cardíaca, mecanismos também ativados pelo mindfulness (Yan et al., 2023).
A combinação de mindfulness com PC6 é especialmente eficaz para reduzir a ansiedade antecipatória antes da quimioterapia e melhorar sintomas de náusea relacionados ao estresse.
Outro ponto frequentemente utilizado é HT7 (Shenmen), localizado no punho, conhecido por “acalmar o Shen” e reduzir a insônia, irritabilidade e agitação mental.
Estudos mostram que sua estimulação reduz os níveis de cortisol e melhora os parâmetros de sono, reforçando os efeitos das práticas de atenção plena (Lu e Rosenthal, 2013).
Em pacientes com CO que apresentam insônia relacionada à dor ou preocupação com a progressão da doença, o HT7 é considerado um ponto-chave.
Para sintomas físicos associados ao estresse, como tensão muscular, dor lombar e fadiga, utiliza-se o LV3 (Taichong), ponto que regula o Qi do fígado, melhora a circulação energética e reduz a irritabilidade.
A estimulação de LV3 modula vias serotoninérgicas e dopaminérgicas, contribuindo para melhora do humor e redução de sintomas depressivos, efeitos também observados em intervenções de mindfulness (Chen et al., 2026).
A integração entre mindfulness e acupuntura é particularmente útil para pacientes com CO que apresentam insônia.
O mindfulness melhora a arquitetura do sono, reduz despertares noturnos e diminui a ruminação mental, enquanto pontos como o SP6 (Sanyinjiao) e o KI6 (Zhaohai) nutrem o yin, regulam os ciclos circadianos e reduzem a secura e irritabilidade pós-quimioterapia.
O SP6, em especial, é amplamente estudado por sua capacidade de reduzir a ansiedade e melhorar a qualidade do sono em mulheres com câncer (Lu e Rosenthal, 2013).
Atividade física e nutrição
A atividade física leve, especialmente o yoga, tem ganhado destaque como intervenção integrativa eficaz para pacientes com câncer de ovário (CO).
Estudos demonstram que o yoga melhora a flexibilidade, reduz a fadiga relacionada ao câncer, diminui a dor e contribui para uma melhor qualidade de vida, efeitos observados em diferentes populações oncológicas (Cramer et al., 2017).
Esses benefícios são particularmente relevantes para mulheres com CO, que frequentemente enfrentam perda de condicionamento físico após cirurgia citorredutora, toxicidade da QT e alterações emocionais decorrentes do diagnóstico.
A prática regular de yoga auxilia na recuperação funcional ao melhorar a força muscular, a mobilidade e o equilíbrio, além de favorecer a saúde mental e a autoestima, aspectos essenciais durante o tratamento (Garcia e Thomson, 2014).
Do ponto de vista fisiológico, o yoga modula o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, reduz níveis de cortisol e melhora a variabilidade da frequência cardíaca, contribuindo para menor ativação simpática e maior sensação de relaxamento (Bower, 2014).
Em pacientes com CO, essa modulação autonômica reduz sintomas como fadiga, ansiedade e distúrbios do sono, frequentemente exacerbados pela QT.
Além disso, técnicas respiratórias, como pranayama, aumentam a oxigenação tecidual, reduzem a tensão muscular e melhoram a percepção corporal, favorecendo a recuperação pós-operatória.
A integração entre yoga e acupuntura potencializa esses efeitos, pois enquanto o yoga atua predominantemente em vias autonômicas e respiratórias, a acupuntura modula vias somatossensoriais e neuroendócrinas, criando uma intervenção sinérgica.
Pontos como ST36 (Zusanli) são especialmente úteis para pacientes que praticam yoga, pois tonificam o Qi, fortalecem o baço e o estômago e reduzem a fadiga, um dos sintomas mais debilitantes do CO.
Estudos mostram que o ST36 melhora os parâmetros imunológicos e reduz a inflamação sistêmica, contribuindo para uma maior tolerância ao tratamento (Lu e Rosenthal, 2013).
A combinação de posturas restaurativas com estimulação de ST36 favorece a recuperação muscular e melhora a disposição física.
Outro ponto relevante é o SP6, que na MTC harmoniza o baço, o fígado e o rim.
SP6 é amplamente utilizado para reduzir a ansiedade, melhorar o sono e aliviar a dor pélvica, sintomas comuns em pacientes com CO.
Em mulheres que praticam yoga, o SP6 complementa os efeitos das posturas voltadas à abertura pélvica e ao relaxamento profundo, reforçando o equilíbrio emocional e a estabilidade energética (Lu e Rosenthal, 2013).
A nutrição integrativa constitui outro pilar fundamental no cuidado de pacientes com CO.
Dietas anti-inflamatórias, adequação proteica e suporte nutricional individualizado ajudam a reduzir os sintomas gastrointestinais, manter o peso adequado e melhorar a tolerância à QT (Garcia e Thomson, 2014).
A alimentação adequada contribui para preservação da massa muscular, melhora da imunidade e redução de complicações infecciosas, fatores essenciais para pacientes submetidas a tratamentos agressivos.
A ingestão adequada de proteínas, por exemplo, é crucial para evitar a sarcopenia, condição que aumenta o risco de toxicidade e reduz a capacidade funcional.
A integração entre nutrição e acupuntura também apresenta benefícios relevantes.
Pontos como CV12 e ST25 (Tianshu) são utilizados para harmonizar o aquecedor médio, melhorar a digestão e reduzir sintomas como náuseas, plenitude abdominal e constipação, frequentemente exacerbados pela QT e por alterações alimentares.
O CV12, ponto Mu do estômago, reduz estagnação e melhora a motilidade gastrointestinal, enquanto o ST25 regula a função intestinal e reduz a distensão abdominal.
A estimulação desses pontos complementa as intervenções nutricionais ao melhorar a absorção, reduzir o desconforto e favorecer a regularidade intestinal.
Para pacientes com CO que apresentam perda de apetite ou aversão alimentar induzida pela QT, o ponto PC6 é especialmente útil.
O PC6 regula o nervo vago, reduz náuseas e melhora a tolerância alimentar, sendo recomendado por diretrizes internacionais para manejo de náuseas induzidas por QT (Chen et al., 2026).
A combinação de PC6 com estratégias nutricionais, como refeições pequenas e frequentes, alimentos de fácil digestão e hidratação adequada, melhora significativamente a capacidade de ingestão alimentar.
Além disso, a nutrição integrativa frequentemente inclui alimentos ricos em compostos bioativos, como cúrcuma, gengibre e chá verde.
Embora esses alimentos apresentem propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, seu uso deve ser supervisionado para evitar interações medicamentosas.
A acupuntura pode complementar esses efeitos ao modular vias inflamatórias e reduzir o estresse oxidativo, criando uma abordagem integrativa segura e eficaz.
Fitoterapia
A fitoterapia, embora amplamente utilizada por pacientes com câncer de ovário (CO), exige cautela rigorosa devido ao potencial de interação com quimioterápicos e à variabilidade na composição dos produtos naturais.
Entre os compostos mais estudados, destacam-se a curcumina, o gengibre e a epigalocatequina (EGCG), principal catequina do chá verde.
Esses fitoquímicos apresentam propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e moduladoras de vias de sinalização tumoral, com estudos pré-clínicos sugerindo efeitos benéficos no controle de sintomas e na modulação de processos celulares relacionados ao câncer (Lu et al., 2023; Lee et al., 2020; Soldati et al., 2018).
A curcumina, derivada da Curcuma longa, é conhecida por sua capacidade de modular vias como NF‑κB, PI3K/Akt e mTOR, reduzindo a proliferação celular, a angiogênese e a inflamação, mecanismos relevantes para tumores epiteliais de ovário (Lee et al., 2020).
No entanto, sua biodisponibilidade oral é baixa e sua ação antioxidante pode interferir na eficácia de quimioterápicos que dependem de estresse oxidativo para induzir apoptose.
Por isso, seu uso deve ser supervisionado e nunca realizado em altas doses sem acompanhamento médico.
O gengibre (Zingiber officinale) apresenta evidências mais consolidadas no manejo de náuseas induzidas por quimioterapia.
Ensaios clínicos demonstram que doses padronizadas de gengibre reduzem náuseas e vômitos, especialmente quando associadas a antieméticos convencionais (Lu et al., 2023).
Seu efeito ocorre pela modulação de receptores serotoninérgicos no trato gastrointestinal e pela redução da liberação de substância P, mecanismo semelhante ao observado em pontos de acupuntura como PC6, que regula o nervo vago e reduz náuseas.
Assim, a integração entre o uso de gengibre e acupuntura pode potencializar o controle de sintomas gastrointestinais.
A EGCG, catequina majoritária do chá verde, apresenta propriedades antioxidantes e capacidade de modular vias de sinalização tumoral, incluindo BCL‑2, EGFR e VEGF, reduzindo a proliferação e invasão celular em modelos de câncer de ovário (Soldati et al., 2018).
No entanto, a EGCG também pode interferir no metabolismo hepático, especialmente em vias dependentes de CYP450, e pode também alterar a coagulação, aumentando o risco de sangramento em pacientes neutropênicas ou trombocitopênicas.
Além disso, seu efeito antioxidante pode reduzir a eficácia de quimioterápicos que dependem de espécies reativas de oxigênio (ROS) para destruir células tumorais.
A integração entre fitoterapia e acupuntura deve ser cuidadosamente planejada.
Pontos como ST36 e SP6 são frequentemente utilizados para modular inflamação, fortalecer o baço e o estômago e melhorar a resposta imunológica, efeitos que complementam ações anti-inflamatórias de compostos como curcumina e EGCG.
O ST36, em particular, é conhecido por aumentar a atividade de células natural killers (NK) e modular citocinas inflamatórias, contribuindo para uma maior tolerância ao tratamento (Lu e Rosenthal, 2013).
Em pacientes que utilizam fitoterápicos para reduzir inflamação, o ST36 pode reforçar esses efeitos sem risco de interação medicamentosa.
Para pacientes que utilizam gengibre para o controle de náuseas, o ponto PC6 é especialmente relevante.
O PC6 regula o nervo vago, reduz a hiperatividade simpática e melhora a motilidade gastrointestinal, criando uma intervenção sinérgica com o gengibre, que atua diretamente em receptores serotoninérgicos do trato digestivo (Chen et al., 2026).
A combinação de PC6 com gengibre é considerada segura e eficaz, desde que o uso do fitoterápico seja padronizado e supervisionado.
Em pacientes que utilizam chá verde ou EGCG, pontos como LV3 e CV12 podem auxiliar na harmonização do fígado e do estômago, reduzindo a tensão abdominal, a distensão e o desconforto digestivo.
O LV3 modula vias serotoninérgicas e dopaminérgicas, contribuindo para a estabilidade emocional, enquanto o CV12 melhora a digestão e reduz estagnação, complementando os efeitos gastrointestinais da fitoterapia.
Riscos
Apesar dos potenciais benefícios, os riscos da utilização de fitoterapia em câncer de ovário (CO) não podem ser ignorados.
Muitos produtos naturais apresentam grande variabilidade na concentração de princípios ativos, ausência de padronização, risco de contaminação e interações medicamentosas significativas.
Esses fatores tornam o uso de fitoterápicos especialmente delicado em pacientes submetidas à QT, cujo metabolismo e função orgânica já se encontram comprometidos.
Compostos antioxidantes em altas doses, por exemplo, podem reduzir a eficácia de quimioterápicos como carboplatina e paclitaxel, que dependem de estresse oxidativo para induzir apoptose tumoral.
A neutralização excessiva de espécies ROS pode, portanto, comprometer a ação citotóxica desses agentes, reduzindo sua capacidade de destruir células neoplásicas (Lu et al., 2023).
Além disso, diversos fitoterápicos podem alterar a coagulação, o metabolismo hepático e a função renal.
Catequinas do chá verde modulam vias hepáticas dependentes de CYP450, podendo aumentar ou reduzir a metabolização de quimioterápicos, o que eleva o risco de toxicidade ou diminui a eficácia (Soldati et al., 2018).
O gengibre, embora eficaz contra náuseas, pode potencializar o risco de sangramento em pacientes trombocitopênicas, especialmente quando utilizado em doses elevadas ou associado a anticoagulantes (Lee et al., 2020).
A curcumina, por sua vez, pode interferir na coagulação e modular vias inflamatórias de forma imprevisível quando utilizada sem supervisão médica (Lu et al., 2023).
Nesse contexto, a acupuntura surge como alternativa segura para manejo de sintomas que muitas pacientes tentam tratar com fitoterápicos.
Pontos como PC6 (Neiguan), amplamente estudado para náuseas induzidas por QT, modulam o nervo vago, reduzem a hiperatividade simpática e melhoram a motilidade gastrointestinal, oferecendo um efeito antiemético sem risco de interação medicamentosa (Chen et al., 2026).
Assim, o PC6 pode substituir o uso indiscriminado de gengibre em pacientes com risco de sangramento ou em regimes quimioterápicos que exigem maior controle hemostático.
Para pacientes que buscam fitoterápicos anti-inflamatórios, como curcumina ou chá verde, pontos como ST36 e SP6 oferecem benefícios semelhantes sem comprometer o metabolismo hepático.
O ST36 modula citocinas inflamatórias, melhora a função imunológica e reduz a fadiga, enquanto o SP6 harmoniza o baço, o fígado e o rim, reduzindo a tensão emocional e os sintomas digestivos (Lu e Rosenthal, 2013).
A estimulação desses pontos permite um manejo seguro da inflamação e do desconforto abdominal, evitando riscos associados a fitoterápicos antioxidantes em altas doses.
Outro ponto relevante é o LV3, que regula o Qi do fígado e reduz a irritabilidade, a tensão muscular e os sintomas emocionais frequentemente tratados com suplementos naturais de ação sedativa.
O LV3 modula vias serotoninérgicas e dopaminérgicas, oferecendo um efeito estabilizador do humor, sem interferir na farmacocinética da QT.
Em pacientes que utilizam chá verde ou EGCG para “desintoxicação”, o LV3 e o CV12 podem ser usados para melhorar a digestão, reduzir estagnação e aliviar o desconforto abdominal, sem risco de hepatotoxicidade.
Os riscos ocultos das terapias alternativas merecem atenção especial. O maior deles é o atraso no tratamento convencional.
Estudos mostram que pacientes que substituem terapias médicas por alternativas apresentam maior mortalidade e maior risco de progressão tumoral (Johnson et al., 2018).
Esse atraso ocorre porque muitas terapias alternativas prometem uma “cura natural”, levando pacientes a abandonar a cirurgia, a QT ou as terapias-alvo.
Além disso, práticas sem evidência científica podem causar danos físicos e emocionais, além de gerar falsas expectativas que comprometem a adesão ao tratamento.
A acupuntura, ao contrário, é segura, não interfere na farmacocinética dos quimioterápicos e pode ser integrada ao tratamento oncológico sem risco de atrasos ou interações.
Pontos como HT7 e Yintang reduzem a ansiedade, a insônia e o sofrimento emocional, sintomas que frequentemente levam pacientes a buscar terapias alternativas sem respaldo científico.
Ao oferecer alívio real e seguro, a acupuntura reduz a probabilidade de abandono terapêutico e melhora a adesão ao tratamento convencional.
Mari Uyeda – Pesquisadora e estudante de Medicina – UNE.
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