Estratégias integrativas para reduzir a toxicidade em oncologia e melhorar a qualidade de vida dos pacientes

A medicina integrativa tem se consolidado como uma abordagem complementar valiosa no cuidado de pacientes oncológicos, especialmente por seu potencial em reduzir a toxicidade dos tratamentos convencionais e melhorar a qualidade de vida (QV).

Ao combinar práticas da medicina alternativa com terapias baseadas em evidências, essa abordagem busca aliviar sintomas físicos e emocionais sem interferir na eficácia oncológica.

Entre as estratégias mais utilizadas estão a acupuntura, a meditação, a fitoterapia, a nutrição funcional e as terapias mente-corpo.

Acupuntura

A acupuntura, prática milenar da medicina tradicional chinesa (MTC), tem se destacado como uma estratégia complementar eficaz na oncologia, especialmente no manejo dos efeitos colaterais da quimioterapia (QT) e radioterapia (RT) – (Zhang et al., 2022).

Seu papel na redução da toxicidade está relacionado à capacidade de modular respostas neuroendócrinas e imunológicas por meio da estimulação de pontos específicos do corpo, conhecidos como acupontos.

Esses pontos estão distribuídos ao longo dos meridianos energéticos e, quando estimulados com agulhas finas, promovem a liberação de neurotransmissores, como endorfinas, serotonina e dopamina, além de influenciar o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, reduzindo o estresse oxidativo e a inflamação sistêmica (Zhang et al., 2022).

No contexto oncológico, a acupuntura tem mostrado benefícios significativos na redução de náuseas e vômitos induzidos por QT, controle da dor neuropática, melhora da fadiga crônica, alívio da xerostomia (boca seca) em pacientes irradiados e até na regulação do sono (Sousa, Mattos de, Marcon, Furtado, e Duarte da Silva, 2023).

Os pontos mais frequentemente utilizados incluem os relacionados a seguir.

PC6 (Neiguan) – localizado no antebraço, é amplamente utilizado para náuseas e vômitos.

ST36 (Zusanli) – na perna, fortalece o sistema imunológico e combate a fadiga.

LI4 (Hegu) – entre o polegar e o indicador, é eficaz no controle da dor e da ansiedade.

SP6 (Sanyinjiao) – na perna, atua na regulação hormonal e melhora o sono.

GV20 (Baihui) – no topo da cabeça, promove equilíbrio emocional e clareza mental.

O tratamento é individualizado, respeitando o tipo de câncer, o estágio da doença, os sintomas predominantes e a condição geral do paciente.

As sessões podem ser realizadas uma a duas vezes por semana, com duração média de 30 a 45 minutos, sendo que o número total varia conforme a resposta clínica.

O princípio terapêutico da acupuntura é restaurar o fluxo harmônico do Qi (energia vital), desbloquear estagnações e fortalecer os sistemas orgânicos afetados pelo tratamento oncológico (Deng, 2019).

Quanto ao prognóstico, a acupuntura não atua diretamente na regressão tumoral, mas contribui significativamente para a adesão ao tratamento convencional, reduzindo a necessidade de interrupções por efeitos adversos e melhorando a qualidade de vida (QV).

Pacientes que recebem acupuntura como parte de uma abordagem integrativa tendem a apresentar melhor tolerância à quimioterapia (QT), menor consumo de analgésicos e antidepressivos e maior estabilidade emocional, fatores que podem influenciar positivamente o desfecho clínico (Deng, 2019).

Em relação à recidiva, não há evidências de que a acupuntura interfira diretamente na taxa de recorrência tumoral. No entanto, ao promover equilíbrio imunológico, redução do estresse crônico e melhora do estado geral, ela pode atuar como um fator indireto de proteção, especialmente quando integrada a um estilo de vida saudável e a um seguimento médico adequado (Zhang et al., 2022).

Meditação

A meditação, especialmente em suas formas estruturadas como o mindfulness, tem se mostrado uma ferramenta poderosa na oncologia integrativa, atuando de maneira significativa na redução da toxicidade dos tratamentos convencionais e na melhora da qualidade de vida dos pacientes.

Embora não interfira diretamente na biologia tumoral, a meditação promove uma série de efeitos fisiológicos e psicossociais que impactam positivamente o curso do tratamento oncológico, favorecendo a adesão terapêutica e o bem-estar global (Stritter, Everding, Luchte, Eggert, & Seifert, 2021).

A toxicidade associada à quimioterapia (QT) e radioterapia (RT), como fadiga intensa, náuseas, dor, insônia, ansiedade e depressão, está frequentemente relacionada à ativação crônica do sistema nervoso simpático e ao aumento de marcadores inflamatórios, como o fator de transcrição NF-kB.

A prática regular da meditação atua na regulação do sistema nervoso autônomo, promovendo a ativação parassimpática, o que reduz a liberação de cortisol e adrenalina, diminui a inflamação sistêmica e melhora a resposta imunológica.

Além disso, estudos mostram que a meditação pode retardar o encurtamento dos telômeros, associado ao envelhecimento celular acelerado em pacientes com câncer (Mao et al., 2022).

Os elementos que devem ser explorados na aplicação da meditação incluem a escolha da técnica mais adequada ao perfil do paciente, como meditação guiada, atenção plena (mindfulness), respiração consciente ou visualização positiva, a frequência das sessões, o ambiente terapêutico e o acompanhamento profissional.

Idealmente, o paciente deve ser orientado por instrutores capacitados, podendo iniciar com sessões curtas de 10 a 20 minutos, evoluindo conforme sua adaptação (Stritter, Everding, Luchte, Eggert, & Seifert, 2021).

A prática pode ser realizada individualmente ou em grupo, podendo ser integrada ao cotidiano hospitalar, ambulatorial ou domiciliar (Stritter, Everding, Luchte, Eggert, & Seifert, 2021).

O princípio do tratamento meditativo é a reconexão do paciente com o momento presente, reduzindo a ruminação mental, o medo do futuro e o sofrimento emocional associado ao diagnóstico (Mao et al., 2022).

Ao cultivar a consciência plena, o paciente desenvolve maior tolerância à incerteza, melhora sua percepção sobre os sintomas e fortalece sua resiliência emocional. Isso se traduz em menor uso de medicamentos ansiolíticos e antidepressivos, melhor qualidade do sono, maior disposição física e emocional e menor evasão dos protocolos terapêuticos (Mao et al., 2022).

O prognóstico dos pacientes que incorporam a meditação como prática complementar tende a ser mais favorável, não pela ação direta sobre o tumor, mas pela melhora da adesão ao tratamento, da estabilidade emocional e da capacidade de enfrentamento (Ott, Norris, & Bauer-Wu, 2006).

Pacientes menos ansiosos e mais engajados tendem a seguir corretamente os ciclos de QT, manter hábitos saudáveis e comunicar precocemente sintomas adversos, o que permite intervenções mais eficazes e oportunas (Ott, Norris, & Bauer-Wu, 2006).

Quanto às chances de recidiva, embora a meditação não impeça diretamente o retorno da doença, ela pode atuar como fator protetor indireto ao reduzir o estresse crônico, que é um dos moduladores da imunossupressão, e ao promover maior consciência corporal, facilitando a detecção precoce de sinais de alerta (Ott, Norris, & Bauer-Wu, 2006).

Além disso, pacientes que mantêm práticas regulares de meditação após o tratamento relatam ter maior sensação de controle, menor medo da recorrência e maior engajamento em estratégias de prevenção (Ott, Norris, & Bauer-Wu, 2006).

Fitoterapia

A fitoterapia tem ganhado destaque como uma abordagem complementar na oncologia, especialmente por seu potencial em reduzir a toxicidade dos tratamentos convencionais e por contribuir para a melhora da qualidade de vida dos pacientes.

Baseada no uso de compostos bioativos extraídos de plantas medicinais, essa prática milenar é respaldada por evidências científicas que demonstram propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes, imunomoduladoras e hepatoprotetoras de diversas substâncias naturais (Bauer-Büntzel, Büntzel, Zomorodbakhsch, & Keinki, 2023).

Entre os elementos mais estudados estão a cúrcuma (Curcuma longa), o gengibre (Zingiber officinale), o resveratrol (derivado da uva), a silimarina (extraída do cardo-mariano), os polifenóis do chá verde e os beta-glucanos de cogumelos como Agaricus brasiliensis e Ganoderma lucidum (Bauer-Büntzel, Büntzel, Zomorodbakhsch, & Keinki, 2023).

Esses compostos atuam em diferentes frentes: reduzem o estresse oxidativo causado pelos agentes quimioterápicos, inibem vias inflamatórias como a COX-2 e as prostaglandinas, estimulam a apoptose de células tumorais e protegem órgãos vulneráveis, como o fígado e o trato gastrointestinal (Zimmermann-Klemd, Reinhardt, Winker, & Gründemann, 2022).

A cúrcuma, por exemplo, contém curcuminoides que têm ação antiangiogênica e potencializam a resposta à quimioterapia (QT), além de proteger contra mucosite e hepatotoxicidade. Já o gengibre é eficaz no controle de náuseas e vômitos, enquanto o resveratrol atua como antioxidante e antiproliferativo, podendo reduzir a inflamação sistêmica e melhorar a resposta imunológica (Zimmermann-Klemd, Reinhardt, Winker, & Gründemann, 2022).

O princípio do tratamento fitoterápico na oncologia integrativa é o uso racional e seguro dessas substâncias como coadjuvantes, nunca como substitutos do tratamento convencional (Laurent et al., 2021).

A prescrição deve ser feita por profissionais habilitados, como médicos ou nutricionistas com formação em fitoterapia, respeitando as diretrizes da Anvisa e evitando interações medicamentosas que possam comprometer a eficácia dos antineoplásicos (Zimmermann-Klemd, Reinhardt, Winker, & Gründemann, 2022).

A individualização do tratamento é essencial, considerando o tipo de câncer, o estágio da doença, os sintomas predominantes e o perfil metabólico do paciente (Laurent et al., 2021).

Em relação ao prognóstico, a fitoterapia pode melhorar significativamente a tolerância ao tratamento, reduzir efeitos adversos e favorecer a manutenção do estado nutricional e imunológico. Isso contribui para maior adesão ao protocolo oncológico, menor necessidade de interrupções e melhor resposta clínica (Bauer-Büntzel, Büntzel, Zomorodbakhsch, & Keinki, 2023).

Pacientes que recebem suporte fitoterápico adequado tendem a apresentar menos episódios de toxicidade grave, como mucosite, fadiga intensa, neuropatia periférica e disfunção hepática, o que impacta positivamente na continuidade terapêutica (Laurent et al., 2021).

Embora os fitoterápicos não previnam diretamente a recorrência tumoral, seu uso pode atuar como fator protetor indireto ao promover equilíbrio imunológico, reduzir inflamações crônicas e melhorar o metabolismo celular (Bauer-Büntzel, Büntzel, Zomorodbakhsch, & Keinki, 2023).

A manutenção de um estado geral saudável, com menor toxicidade e maior adesão ao tratamento, está associada a melhores desfechos clínicos e menor risco de progressão da doença (Laurent et al., 2021).

Nutrição funcional

Diferente da nutrição convencional, que foca em calorias e macronutrientes, a nutrição funcional considera o indivíduo em sua totalidade, incluindo aspectos genéticos, metabólicos, imunológicos e emocionais, e busca restaurar o equilíbrio bioquímico por meio de alimentos e compostos bioativos com propriedades terapêuticas (Minnella et al., 2018).

A toxicidade dos tratamentos oncológicos pode se manifestar de diversas formas: mucosite, náuseas, vômitos, constipação, diarreia, fadiga, perda de massa magra, alterações hepáticas e imunossupressão (Minnella et al., 2018).

A nutrição funcional atua na modulação desses efeitos por meio da escolha criteriosa de alimentos com ação anti-inflamatória, antioxidante, imunomoduladora e regenerativa (Minnella et al., 2018).

Dentre os elementos-chave que devem ser explorados incluem-se os indicados abaixo.

Alimentos ricos em antioxidantes naturais, como frutas vermelhas, cúrcuma, gengibre, chá verde e vegetais crucíferos (brócolis, couve-flor, repolho), que combatem o estresse oxidativo induzido pelos tratamentos.

Fontes de ômega-3, como peixes de água fria e sementes de chia e linhaça, que reduzem inflamações sistêmicas e protegem os tecidos saudáveis.

Probióticos e prebióticos, que restauram a microbiota intestinal, essencial para a absorção de nutrientes, regulação imunológica e prevenção de diarreias e infecções.

Proteínas de alto valor biológico, como ovos, peixes, carnes magras e leguminosas, que ajudam a preservar a massa muscular e a combater a caquexia.

Micronutrientes essenciais, como zinco, selênio, magnésio e vitaminas do complexo B, que participam de processos de detoxificação hepática e regeneração celular.

O princípio da nutrição funcional é identificar e corrigir desequilíbrios nutricionais e metabólicos que possam comprometer a resposta ao tratamento e a recuperação do paciente.

Isso é feito por meio de uma avaliação individualizada, que considera exames laboratoriais, histórico clínico, sintomas, composição corporal e estilo de vida (Bossi, Delrio, Mascheroni, & Zanetti, 2021).

A intervenção nutricional pode ser oral, enteral ou parenteral, dependendo da condição clínica, e deve ser ajustada continuamente ao longo do tratamento (Bossi, Delrio, Mascheroni, & Zanetti, 2021).

O prognóstico dos pacientes que recebem suporte nutricional funcional tende a ser mais favorável. Estudos mostram que a nutrição adequada reduz complicações, melhora a tolerância aos protocolos terapêuticos, preserva a funcionalidade e reduz o tempo de internação (Bossi, Delrio, Mascheroni, & Zanetti, 2021).

Além disso, pacientes bem nutridos apresentam melhor resposta imunológica, menor risco de infecções e maior capacidade de cicatrização, fatores que impactam diretamente na evolução clínica (Bossi, Delrio, Mascheroni, & Zanetti, 2021).

A nutrição funcional pode atuar como fator protetor ao reduzir inflamações crônicas, melhorar o metabolismo celular e fortalecer o sistema imunológico (Dunbar et al., 2023).

A manutenção de um estado nutricional equilibrado após o tratamento é considerada uma estratégia preventiva importante, especialmente em pacientes com fatores de risco metabólicos, como obesidade, resistência à insulina e síndrome inflamatória persistente (Dunbar et al., 2023).

Pacientes que recebem orientação nutricional personalizada relatam maior disposição, menos efeitos colaterais, melhor humor e maior sensação de controle sobre sua saúde. Isso se traduz em menor evasão terapêutica, maior engajamento com a equipe multidisciplinar e melhores desfechos clínicos (Dunbar et al., 2023).

No Brasil, diretrizes como o Guia de Nutrição para o Oncologista da SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica) e o Consenso Nacional de Nutrição Oncológica do INCA (Instituto Nacional de Câncer) reforçam a importância da abordagem nutricional como parte essencial do cuidado oncológico, promovendo uma visão mais integrada, segura e eficaz no enfrentamento do câncer.

Reiki

Baseado na canalização da energia vital universal por meio da imposição das mãos, o reiki atua na harmonização dos centros energéticos do corpo (chacras), promovendo equilíbrio físico, emocional e espiritual (Carlino, Larkin, & Long, 2021).

Embora seus mecanismos ainda estejam em investigação científica, diversos estudos apontam que o reiki pode modular o sistema nervoso autônomo, reduzir os níveis de cortisol e estimular a resposta imunológica, contribuindo para a melhora do estado geral do paciente oncológico (Carlino, Larkin, & Long, 2021).

Ao promover relaxamento profundo, o reiki favorece a regulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, reduzindo o impacto do estresse crônico e melhorando a tolerância aos protocolos terapêuticos (Carlino, Larkin, & Long, 2021).

Pacientes submetidos a sessões regulares de reiki relatam menor necessidade de medicamentos sintomáticos, maior disposição física e emocional e melhor qualidade de sono, o que contribui diretamente para a adesão ao tratamento convencional (Carlino, Larkin, & Long, 2021).

Os elementos que devem ser explorados na aplicação do reiki incluem a avaliação energética individual do paciente, a escolha dos chacras mais afetados (como o plexo solar, cardíaco e coronário) e a frequência das sessões (Joyce, & Herbison, 2015).

Recomenda-se que o reiki seja aplicado por terapeutas qualificados, preferencialmente com nível 2 ou 3 de formação, em sessões semanais ou quinzenais, ajustadas conforme o ciclo de quimioterapia (QT) ou radioterapia (RT) – (Joyce, & Herbison, 2015).

A prática pode ser realizada antes e após os tratamentos convencionais, com o objetivo de preparar o corpo e a mente para receber a terapêutica e auxiliar na recuperação pós-procedimento (Joyce, & Herbison, 2015).

O princípio do tratamento com reiki é a restauração do fluxo harmônico da energia vital, desbloqueando áreas de estagnação e promovendo a autorregulação do organismo (Avci, & Gün, 2023).

Essa abordagem não invasiva e de baixo custo respeita a individualidade do paciente e pode ser integrada de forma segura ao plano terapêutico multidisciplinar (Avci, & Gün, 2023).

O reiki contribui para a estabilidade emocional, a redução da dor e a melhora da vitalidade, fatores que influenciam positivamente o prognóstico (Avci, & Gün, 2023).

Ao favorecer o equilíbrio emocional, reduzir o estresse oxidativo e melhorar a adesão ao tratamento, ele pode atuar como um fator indireto de proteção (Avci, & Gün, 2023). Pacientes que se sentem acolhidos e fortalecidos tendem a manter hábitos saudáveis, seguir corretamente os protocolos médicos e buscar suporte contínuo, o que pode impactar positivamente na evolução clínica (Avci, & Gün, 2023).

O papel das práticas integrativas para um atendimento oncológico humanizado

No contexto brasileiro, a medicina integrativa tem ganhado espaço de forma gradual, especialmente na oncologia, como resposta à crescente demanda por abordagens mais humanizadas, seguras e centradas no paciente.

Essa tendência reflete não apenas o avanço das práticas complementares baseadas em evidências, mas também uma mudança cultural na forma como o cuidado em saúde é percebido, valorizando o bem-estar físico, emocional e espiritual ao longo da jornada oncológica.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa para o triênio de 2023–2025 aponta cerca de 704 mil novos casos de câncer por ano no Brasil, sendo o câncer de pele não melanoma o mais incidente, seguido por câncer de mama, próstata, cólon e reto, pulmão e estômago. Embora o melanoma represente uma parcela menor dos casos, com cerca de oito mil novos diagnósticos anuais, sua letalidade é proporcionalmente alta, o que reforça a importância de estratégias complementares que melhorem a adesão ao tratamento e a qualidade de vida.

A medicina integrativa, nesse cenário, surge como uma resposta à complexidade do tratamento oncológico, especialmente em pacientes que enfrentam efeitos adversos intensos, como fadiga, dor crônica, náuseas, ansiedade e depressão.

A projeção para os próximos anos indica um aumento significativo na incidência de câncer, impulsionado pelo envelhecimento populacional, urbanização, sedentarismo e hábitos alimentares inadequados.

Isso torna ainda mais urgente a implementação de políticas públicas que reconheçam e regulamentem a medicina integrativa como parte do cuidado oncológico, promovendo capacitação profissional, pesquisa clínica e acesso equitativo às terapias complementares.


Mari Uyeda – Professora Assistente da Saint Francis University, Pensilvânia/EUA e estudante de Medicina – UNE.

 

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