Psiquiatria nutricional: uma nova área em ascensão no manejo de transtornos mentais

Nos últimos anos, tendo em vista o aumento da necessidade de trazer novas soluções no campo de saúde mental, houve um crescimento significativo de novas pesquisas voltadas em explorar a relação entre as ciências da nutrição e a saúde mental.

Com a finalidade de organizar tais estudos, foi criada, em 2013, a Sociedade Internacional de Pesquisa em Psiquiatria Nutricional – International Society for Nutritional Psychiatry Research (ISNPR), que assumiu o objetivo de avançar no desenvolvimento de pesquisas e na comunicação sobre a nutrição no campo da psiquiatria, dando origem ao recém e emergente campo de estudo chamado de psiquiatria nutricional (ISNPR, 2013).

A saúde mental tem sido apontada como um problema emergente de saúde pública e a psiquiatria nutricional é um campo de pesquisa em rápido crescimento, que tem o potencial de fornecer intervenções clinicamente significativas para prevenir e gerenciar as doenças mentais.

Pesquisas observacionais demonstraram uma relação consistente entre a qualidade da dieta e doenças mentais comuns, enquanto as vias biológicas, incluindo inflamação, estresse oxidativo, microbiota gastrointestinal e fatores neurotróficos, fornecem mecanismos de ação viáveis para esse efeito observado (Marx et al., 2017).

A Declaração de Consenso da ISNPR (2015) coloca-se fortemente em favor da nutrição e dos nutracêuticos, apontando a alimentação como um alvo modificável fundamental para a prevenção de transtornos mentais e para a promoção da saúde mental.

A aplicabilidade de nutrientes, isolados ou não, em quantidades específicas e por prazos determinados, de acordo com estudos científicos em andamento, apresentam uma boa relevância para a saúde do cérebro (Brandt, 2019).

Os distúrbios de saúde mental são influenciados pelo risco dietético por meio de uma variedade de mecanismos moleculares.

As melhorias na tecnologia e a implementação das ciências ômicas criaram a possibilidade de se estudar a relação entre dieta, microbiota intestinal e saúde mental.

O eixo intestino-cérebro (EIC) representa a lógica central que prepara o terreno para a relativamente nova disciplina de estudo definida como psiquiatria nutricional.

Pesquisas sobre esse assunto ajudam a entender melhor a possível relação multidirecional entre alimentação, humor, qualidade do sono, cognição e saúde mental de forma geral (Grosso, 2021).

As intervenções alimentares visam a alcançar os processos fisiopatológicos implícitos às doenças, incluindo variâncias do microbioma, alterações das funções mitocondriais, impacto nos processos inflamatórios, desvios de fatores neurotróficos do cérebro e disfunções no eixo hipófise-hipotálamo-adrenal (Adan et al., 2019).

Diante do exposto, neste artigo de revisão narrativa, serão abordados com maior ênfase alguns pontos acerca das comunicações relacionadas ao eixo intestino-cérebro, elucidando questões que são analisadas atualmente em psiquiatra nutricional, seus recentes achados e qual caminho a ciência tem trilhado no momento.

Serão ainda abordados aspectos relevantes entre psiquiatria nutricional e transtorno de depressão maior (TDM).

Por fim, serão apresentados alguns resultados de estudos científicos recentes no que tange à abordagem da dieta do mediterrâneo modificada (ModiMedDiet) e sobre nutracêuticos, como psicobióticos, ômega-3 e N-acetilcisteína (NAC), aplicados especificamente em casos de TDM.

Metodologia

Trata-se de uma revisão narrativa da literatura realizada a partir do levantamento de dados sobre artigos e revisões nas bases de dados eletrônicas Biblioteca Virtual-EBSCO, SciELO e PubMed e em e-books (encontrados no site Minha Biblioteca), publicados entre os anos de 2013 e 2022, em português e inglês.

Foram empregados descritores como psiquiatria nutricional, nutritional psychiatry, psiquiatria, transtornos mentais, transtorno depressivo maior, saúde mental, microbioma gastrointestinal, ômega-3, N-acetilcisteína e probióticos.

Como critérios de inclusão foram selecionadas somente revisões e editorias que tinham como objetivo principal temas correlacionados à psiquiatria nutricional.

Os resultados foram analisados de forma qualitativa, mediante descrição narrativa.

Aspectos relevantes entre psiquiatria nutricional e transtorno de depressão maior

A psiquiatria nutricional está inserida no campo de prevenção e tratamento coadjuvante de transtornos mentais através da modulação da dieta, assim como apoia-se na suplementação de alguns nutrientes de forma específica, adotando a premissa de que a saúde mental apresenta possível correlação com a predominância alimentar do indivíduo.

Com base no conjunto da literatura sobre clínica psiquiátrica, é de conhecimento de todos a complexidade em torno dos distúrbios psiquiátricos, que envolvem fatores externos, genética e diversas questões individualizadas.

Entretanto, discute-se o que é possível de ser modificável, ou seja, qual seria o papel da alimentação como fator de grande impacto na saúde mental (Jacka, 2017).

O campo da psiquiatria nutricional está apenas começando a gerar dados de qualidade e de consistência, que são necessários para mudar as recomendações de saúde pública e a prática clínica.

A abordagem em psiquiatria nutricional busca, através de evidências científicas, respostas sobre a aplicabilidade da dieta na saúde mental e que impactos ela traria em relação aos estímulos cerebrais.

Propõe-se ainda a elucidar questões relativas à microbiota intestinal e sua possível correlação com resultados inflamatórios no organismo (Dash, O’Neil, Jacka, 2016).

No contexto da psiquiatria nutricional, é um imperativo fundamental concentrar-se no estudo das vias biológicas que medeiam a ligação entre dieta e saúde mental.

Em particular, o eixo intestino-cérebro é um foco crescente de atenção, dado o recente entendimento sobre a importância da microbiota intestinal em influenciar o cérebro e o comportamento, assim como o reconhecimento de que a dieta é um modulador-chave da microbiota intestinal e da saúde intestinal (Berk et al., 2013).

O que é transtorno mental

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5 (2016), “um transtorno mental é uma síndrome caracterizada por uma perturbação clinicamente significativa na cognição, regulação da emoção ou comportamento de um indivíduo, refletindo uma disfunção nos processos psicológicos, biológicos ou de desenvolvimento subjacentes ao funcionamento mental”.

Para Guimarães e colaboradores (2021), o critério de funcionalidade, utilizado no DSM-5, “é vantajoso em psiquiatria, pois permite avaliar o indivíduo dentro de seu contexto sociocultural, levando em consideração suas características individuais”.

O que é transtorno depressivo maior

O transtorno depressivo maior (TDM) é um transtorno mental de etiologia multifatorial, sendo que cerca de 20% da população mundial apresenta sintomas depressivos significativos ao longo da vida.

Situações de estresse possivelmente influenciam escolhas alimentares menos saudáveis, desfavorecendo a biodiversidade da microbiota intestinal (Carvalho, Lafer, Schuch, 2021).

Quando se fala de definição para o TDM, a característica mais prevalente é a presença de humor irritável, triste ou vazio, seguido de mudanças cognitivas e somáticas, que interferem no desenvolvimento funcional da pessoa, diferindo de indivíduo para indivíduo em relação ao momento, duração ou etiologia, dentro de seus aspectos particulares (DSM-5, 2016).

Os transtornos depressivos incluem transtorno disruptivo da desregulação do humor, transtorno depressivo maior e transtorno depressivo persistente, entre outros.

O transtorno depressivo maior representa a condição clássica desse grupo de transtornos, sendo caracterizado por episódios distintos com ao menos duas semanas de duração, envolvendo alterações nítidas no afeto, na cognição e em funções neurovegetativas e com remissões interepisódicas (DSM-5, 2016).

Os mecanismos relacionados ao desenvolvimento e à gravidade do TDM, no que tange ao sistema nervoso, são os seguintes: insuficiente ou inadequado suprimento de nutrientes, como aminoácidos, gorduras, vitaminas e minerais, além de outros micronutrientes, afetando fatores neurotróficos, como a plasticidade e manutenção neuronal; desequilíbrio mitocondrial e desequilíbrio na produção de peptídeo YY (PYY), fator de liberação de corticotrofina (CRF), ocitocina, neuropeptídeo Y (NPY) e brain-derived neurotrophic factor (BDNF) –  (Jiang et al., 2015).

Já os mecanismos que se referem à esfera do sistema imunológico são o aumento de citocinas pró-inflamatórias e do estresse oxidativo e elevada atividade do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA). O padrão alimentar pobre em nutrientes essenciais favorece o desequilíbrio do sistema imunológico e o aumento do estresse oxidativo (Koopman, El Aidy, 2017).

Por fim, os mecanismos relacionados aos sistemas entérico e endócrino incluem alterações em relação à disbiose intestinal, desequilíbrio na produção de fator de crescimento semelhante à insulina do tipo 1 (IGF-1), peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1), colecistocinina (CCK), grelina, leptina e desequilíbrio no metabolismo glicêmico (Lach et al., 2018).

A modificação no padrão alimentar é uma das estratégias de tratamento, com poucos efeitos adversos, características não invasivas e relativamente acessível nas intervenções dietéticas e na depressão (Lopresti, Hood, Drummond, 2013).

Psiquiatria nutricional no TDM

Os estudos da Sociedade Internacional de Pesquisa em Psiquiatria Nutricional remetem ao crescente reconhecimento do campo da nutrição como uma ciência que tem a capacidade de modificar fatores determinantes aos riscos subjacentes às doenças mentais, apresentando crescente potencial para intervenções capazes de prevenir e tratar de forma coadjuvante doenças como a depressão (Martínez, González, 2017).

As deficiências nutricionais graves podem afetar o bom andamento funcional do perfil psicológico do indivíduo, atingindo vias afetivas e cognitivas.

Padrões alimentares com predominância em alimentos ultraprocessados, somados a hábitos dietéticos pró-inflamatórios, com raríssimas exceções permitem que o indivíduo atinja adequadamente suas necessidades diárias de nutrientes essenciais para uma boa resposta do funcionamento do cérebro e do corpo.

Mesmo com o suporte de alta densidade energética dos alimentos ultraprocessados, a baixa densidade nutritiva da dieta como um todo, associada a hábitos de vida inadequados, como sedentarismo, tabagismo, etilismo e sono de baixa qualidade, podem ocasionar desfechos negativos à saúde mental (Carnegie et al., 2020).

Aspectos biológicos e metabólicos relacionados ao eixo intestino-cérebro

Por definição literária, o termo microbiota refere-se às comunidades de microrganismos que habitam os tecidos: protozoários, fungos e bactérias, entre outros. E a mesma, quando em desequilíbrio, pode levar a uma resposta imunológica, causando inflamação.

Já o termo microbioma pode ser definido como um conjunto desses microrganismos e seus genes que interagem com os genes de seus hospedeiros (Faintuch, 2017).

O microbioma intestinal desempenha funções importantes para o organismo, como o controle do sistema imunológico, da digestão, do metabolismo de gordura e da síntese de certos ácidos graxos de cadeia curta e das vitaminas (Miguel, 2020).

O eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, núcleo central do estresse no sistema endócrino, regula a liberação de glicocorticoides, mineralocorticoides e catecolaminas, substâncias que modulam o ambiente intestinal determinando a composição da microbiota e a integridade da barreira intestinal – complexo sistema de múltiplas camadas, com uma barreira externa e uma barreira funcional imunológica interna. A interação dessas barreiras permite a manutenção do equilíbrio de sua permeabilidade (Miguel, 2020).

Eixo intestino-cérebro

A disbiose intestinal (DI) significa alterações na microbiota quanto aos desvios nas atividades neuronais, endócrinas, imunológicas e metabólicas.

Esses desvios aumentam a permeabilidade intestinal ao se romperem as tight junctions do epitélio intestinal, levando à translocação bacteriana para a corrente sanguínea e, assim, ativando a produção de citocinas inflamatórias por macrófagos e outras células imunes.

Por outro lado, uma microbiota saudável produz vários mediadores neuroativos, incluindo a serotonina (5-HT) e os ácidos graxos de cadeia curta (SCFAs), como por exemplo o butirato, que podem ajudar na manutenção de uma barreira intestinal menos permeável (Faintuch, 2017).

Atualmente, a ideia que permeia a psiquiatria nutricional relaciona-se à conexão bidirecional do eixo microbiota-intestino-cérebro, sendo que a dieta ocidental poderia resultar em disbiose, por ativar a cascata de sinalização inflamatória, podendo gerar uma série de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), através de uma microbiota inflamada.

Em contrapartida, uma deita saudável manteria o indivíduo em eubiose, gerando uma função cerebral saudável, mediada por um intestino menos permeável e com marcadores inflamatórios saudáveis (Slyepchenko et al., 2016).

Sistema nervoso entérico e sistema nervoso central

Existem várias vias diretas e indiretas e de circulação sistêmica entre o sistema nervoso entérico e o sistema nervoso central, por meio das quais a microbiota intestinal pode modular o eixo intestino-cérebro (EIC).

Entre elas, incluem-se as vias endócrinas, mais especificamente a do cortisol, como também as vias imunológicas, como as das citocinas e a via neural vagal. Por fim, não podem ficar de fora desse contexto as vias do sistema nervoso entérico (SNE) e dos nervos espinhais (Kachani, Cordás, 2021).

Vários microrganismos intestinais são capazes de sintetizar neurotransmissores, conhecidos como ácido gama-aminobutírico (GABA), noradrenalina e dopamina. Metabólitos microbianos neuroativos podem modular o cérebro e o comportamento através de várias maneiras que ainda estão sendo elucidadas (Margolis, Cryan, Mayer, 2021).

As células epiteliais afetam a função da barreira intestinal e as células enteroendócrinas (EECs) liberam hormônios gastrointestinais, bem como as células dendríticas (DCs) modulam a função imunológica.

Estruturas especializadas em células enteroendócrinas, conhecidas como “neurópodes”, demonstram transduzir sinais sensoriais do meio intestinal para o cérebro, através da formação de conexões semelhantes a sinapses para nervos aferentes, incluindo o nervo vago (Margolis, Cryan, Mayer, 2021).

O sistema nervoso entérico está perfeitamente preparado para ser um hub integral para sinais microbianos e pode se comunicar com o cérebro por meio de vias vagais e espinhais. No entanto, as vias de sinalizações moleculares, de todas essas vias envolvidas, ainda precisam ser definidas com maior exatidão (Margolis, Cryan, Mayer, 2021).

Sugere-se que as vias de comunicação do eixo intestino-cérebro impliquem em desfechos diretamente relacionados a variações de humor, como a depressão e a ansiedade.

Esse mesmo eixo também pode apresentar desfechos diretamente correlacionados ao que diz respeito à motilidade intestinal, devido a comunicação do sistema nervoso entérico e sistema nervoso central (Margolis, Cryan, Mayer, 2021).

A serotonina desempenha o papel de um regulador crítico da sinalização do eixo intestino-cérebro-microbioma. As bactérias presentes no microbioma intestinal produzem ácidos graxos de cadeia curta (SCFAs), que estimulam diretamente a triptofano hidroxilase 1 (TPH1), resultando na síntese e secreção de receptor 5-HT nas células intestinais.

A 5-HT liberada da membrana basal das células intestinais interagem com receptores de neurônios do sistema nervoso entérico. Por sua vez, os aferentes vagais geram sinalização que interage com redes cerebrais reguladoras de emoções que influenciam o humor.

Essas sinalizações também podem modular a regulação das tight junctions, motilidade, secreção e sinalização do eixo intestino-cérebro (Margolis, Cryan, Mayer, 2021).

Resultados das intervenções dietéticas

Intervenções dietéticas específicas podem potencialmente favorecer a melhora dos sintomas depressivos.

A revisão sistemática e metanálise realizada através de 16 ensaios clínicos randomizados e controlados demonstrou a eficácia de intervenções dietéticas para redução de sintomas depressivos e ansiosos em 48.826 indivíduos com idade média de 55 anos.

As intervenções dietéticas eram individualizadas, apresentavam duração média de 10 dias a três anos e enfatizavam a melhoria da qualidade de ingestão de nutrientes, assim como a redução no consumo de gorduras e a restrição calórica focada na perda de peso (Teasdale et al., 2016).

Outro exemplo que demonstrou efeitos positivos no tratamento antidepressivo foi a dieta mediterrânea, assim chamada por ser típica dos países ao redor do Mar Mediterrâneo, principalmente nas regiões do sul da Itália, Grécia e Espanha.

Esse tipo de dieta apresenta forte associação com baixos índices de certas patologias em relação à dieta ocidental, que está correlacionada a uma maior incidência de doenças cardiovasculares, câncer, doença de Parkinson, doença de Alzheimer e diabetes.

A dieta mediterrânea consiste basicamente no alto consumo de frutas, legumes e vegetais, nozes, cereais não processados, peixe, iogurte e queijos, e baixo consumo de carne vermelha e leite (Martínez-González, Martin-Calvo, 2016).

Nela, há um consumo elevado de azeite de oliva, rico em ácidos graxos monoinsaturados, em vez do consumo de óleos e gorduras ricos em ácidos graxos saturados.

Fica permitido o consumo moderado de vinho tinto durante as refeições.

Outro estudo selecionado com base nos parâmetros da revisão sistemática e metanálise foi conduzido com a finalidade de investigar as relações existentes entre o Escore Alternativo da Dieta Mediterrânea (EDM-A), o Índice de Alimentação Saudável (HEI), a Dietary Approach to Stop Hypertension (DASH) e o Índice Inflamatório da Dieta (DII) para cenário de transtorno depressivo maior ou sintomas depressivos.

Esse estudo demonstrou que valores altos de EDM-A e HEI e baixos valores de DII estão fortemente associados a um menor risco de desenvolvimento de depressão.

Nesse estudo foi sugerido que o consumo de frutas, legumes e verduras, nozes e vinho em moderação está relacionado a melhores desfechos metabólicos, favorecendo o tratamento de depressão (Molendijk et al., 2018).

Em 2017, foi realizado o primeiro estudo controlado e randomizado sobre intervenção e padrão alimentar como estratégia para tratamento de sintomas depressivos, denominado de SMILES Trial, um acrônimo em inglês para “suporte à modificação do estilo de vida em estados emocionais prejudicados”.

Esse estudo apontou efeitos positivos de uma intervenção dietética de três meses em casos de depressão moderada a grave, com melhora significativamente maior no grupo de intervenção dietética, que alcançou um índice de 32% de remissão, em comparação a 8% no grupo que não recebeu a intervenção.

Em síntese, os resultados indicaram que a melhoria da dieta pode fornecer uma estratégia de tratamento eficaz e acessível para o manejo de sintomas depressivos, cujos benefícios podem se estender ainda ao manejo de comorbidades comuns (Jacka et al., 2017).

A dieta do mediterrâneo modificada (ModiMedDiet) foi projetada com a utilização de combinações entre diretrizes alimentares existentes e evidências científicas da epistemologia no campo emergente da psiquiátrica nutricional.

Foram inscritos no SMILES Trial, 67 residentes da Austrália, com 18 anos de idade ou mais, que apresentavam um consumo de dietas de baixa qualidade e sintomas de transtorno de depressão maior.

O estudo apresentou uma taxa de retenção de 93,9% no grupo de intervenção dietética e de 73,5% no grupo de controle de apoio social (Opie et al., 2018).

A intervenção dietética da ModiMedDiet consistiu em sete sessões individuais de aconselhamento nutricional ministradas por um nutricionista qualificado. Já a condição de controle consistiu em um protocolo de apoio social pareado com o mesmo horário e duração da visita.

O estudo apresentou resultados de melhorias significativas na qualidade da dieta ao comparar e observar os indivíduos randomizados para o grupo ModiMedDiet. Essas melhorias na dieta também foram associadas a mudanças nos sintomas depressivos (Opie et al., 2018).

Essa pesquisa detalhou a primeira intervenção dietética prescritiva e individualizada projetada por nutricionistas especificamente para adultos com transtorno depressivo maior e teve como conclusão que a ModiMedDiet pode ser efetivamente implementada na prática clínica para gerenciar essa condição de saúde mental que é altamente prevalente e debilitante.

Nutracêuticos

O termo “nutracêutico” foi cunhado, em 1989, pela Fundação para Inovação em Medicina, nos Estados Unidos, com a finalidade de fornecer um nome para essa nova área de pesquisa médica, farmacêutica e nutricional.

Os nutracêuticos foram definidos como qualquer substância (alimento ou parte dele, variando entre nutrientes isolados, suplementos dietéticos, produtos processados, produtos fitoterápicos, pré e probióticos, alimentos funcionais e/ou alimentos fortificados) que forneça benefícios à saúde, tratamento coadjuvante e prevenção de doenças para o indivíduo.

Essas substâncias podem ser retiradas de fontes vegetais ou de fontes animais, tendo em sua composição compostos com propriedades terapêuticas e/ou naturais e podendo ser administradas através do formato de cápsulas, comprimidos, soluções, xaropes, etc. (Bisson, 2020).

Psicobióticos

O termo probiótico origina-se do grego e significa em prol da vida.

Os probióticos são definidos como organismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, determinam benefícios à saúde do hospedeiro (Dinan, Stanton, Cryan, 2013).

Esses benefícios ocorrem mediante mecanismos celulares e moleculares e são antagonistas à adesão de germes patogênicos, reduzindo a inflamação, melhorando a barreira intestinal e estimulando a imunidade inata. No entanto, sua interpretação na prática clínica ainda não é exata (Faintuch, 2017).

Com base no conceito literário dos probióticos, um psicobiótico, psicoprobiótico ou psicobiotrópico, ou seja, um probiótico para saúde mental, é definido como um organismo vivo que, quando ingerido em quantidades adequadas, produz benefício à saúde de pacientes que sofrem de doenças psiquiátricas, pois seus efeitos podem modular o intestino e, consequentemente, o comportamento e o funcionamento cerebral, através da comunicação do eixo intestino-cérebro (Kachani, Cordás, 2021).

Esses efeitos podem ser mediados por meio da redução da atividade do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e/ou através do nervo vago – medula espinhal e sistemas neuroendócrinos e/ou em função da liberação de substâncias neuroativas, como ácido gama-aminobutírico (GABA) e serotonina, que atuam no eixo cérebro-intestino.

Até o momento, os psicobióticos foram mais amplamente estudados em ambientes psiquiátricos, com ligação a pacientes com síndrome do intestino irritável, tendo sido relatados 22 benefícios positivos à saúde do hospedeiro.

Entretando, são aguardados mais resultados de estudos controlados por placebo em larga escala (Dinan, Stanton, Cryan, 2013).

As cepas potenciais para a promoção de efeitos psicobióticos, sugeridas especialmente para pacientes com transtorno depressivo maior como forma de aliviar os sintomas depressivos, são os lactobacilos e as bifidobactérias (Chao et al., 2020).

A atuação dos psicobióticos na microbiota intestinal e eixo hipotálamo-hipófise-adrenal ocorre da seguinte forma: o estresse psicossocial ativa o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, provocando a ação do hormônio liberador de corticotrofina e vasopressina, o que resulta na alteração da função da barreira intestinal.

Moléculas como os lipopolissacarídeos (LPS) passam então para a corrente sanguínea, desenvolvendo um fenótipo pró-inflamatório, caracterizado por níveis elevados de IL-1 e IL-6. A prostaglandina E2, produzida como resultado da ativação imunológica, pode estimular diretamente o córtex adrenal.

Os psicobióticos elevam as citocinas anti-inflamatórias IL-10, que diminuem as citocinas pró-inflamatórias e suprimem a atividade do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal.

Os psicobióticos também atuam como um veículo de entrega para moléculas neuroativas, como o GABA, e dessa forma melhoram a função da barreira intestinal (Dinan, Stanton, Cryan, 2013).

Ácidos graxos ômega-3

O ômega-3 é um ácido graxo poli-insaturado e aufere essa designação porque tem duas ou mais insaturações, sendo considerado um ácido graxo de cadeia longa, já que em sua composição há mais de 20 átomos de carbono. Tem como componentes basilares ácido graxo eicosapentaenoico (EPA) e o ácido graxo docosa-hexaenoico (DHA).

O ômega-3 origina uma estabilização na inflamação, que também é determinada por outros ácidos graxos (AG), cujos compostos apresentam benefício anti-inflamatório, modulação neuroendócrina e construções neuroprotetoras que subsidiam a terapêutica da depressão (Cozzolino, 2020).

Desse modo, correlacionando-se os ácidos graxos com o transtorno de depressão maior, observam-se aspectos positivos no sistema nervoso central, como a neurogênese, que é a constituição de novos neurônios, e a neuroplasticidade, que é a disposição do sistema nervoso e dos neurônios em se adequar a novas condições (Carvalho, Lafer, Schuch, 2021).

Em geral, os ácidos graxos ômega-3 podem ser encontrados em alimentos de origem animal e vegetal. Classicamente, o ácido alfalinolênico (ALA) é encontrado em sementes, como chia, linhaça e nozes, e nos óleos vegetais, como os de soja, canola e cânhamo. O ácido eicosapentaenoico (EPA) e o ácido docosa-hexaenoico (DHA) são encontrados em peixes e em algas (Baker et al., 2016).

Um efeito positivo dos ácidos graxos poli-insaturados do tipo ômega-3 correlacionado ao transtorno de depressão maior baseia-se em sua presença no sistema nervoso central e em seu envolvimento na neurogênese e neuroplasticidade.

Esse nutracêutico possui um efeito anti-inflamatório capaz de neutralizar uma possível ativação persistente da inflamação na depressão.

Estudos clínicos recentes demonstraram concentrações prejudicadas de ômega-3 no plasma e nas membranas dos glóbulos vermelhos de pacientes com depressão, sugerindo que, em alguns casos, uma possível deficiência desse nutracêutico estaria envolvida na fisiopatologia de base do transtorno depressivo maior (Grosso et al., 2016).

Com relação à formulação e dosagem dos ácidos graxos poli-insaturados do tipo ômega-3, tanto para o EPA quanto para uma combinação de EPA/DHA, é sugerida, para efeito antidepressivo, uma razão superior a EPA/DHA > 2:1. A dosagem recomendada é de 1-2 g de EPA, em um período de duas a quatro semanas (Guu et al., 2019).

N-acetilcisteína

A N-acetilcisteína (NAC), que é um pró-fármaco da L-cisteína, dá origem à glutationa, que por definição literária é o antioxidante intracelular endógeno mais abundante, desempenhando um papel fundamental na defesa do organismo contra o estresse oxidativo.

Na fase idosa da vida, há um declínio natural de sua formação endógena. Por essa razão, pesquisadores avaliaram que após duas semanas de suplementação de cisteína e glicina, idosos tiveram um aumento significativo nas concentrações de glicina, cisteína e glutationa dos glóbulos vermelhos, além de apresentarem declínio tanto do estresse oxidativo como dos marcadores plasmáticos relacionados ao dano oxidativo (Bisson, 2020).

Foi realizada uma revisão sistemática e de metanálise, contendo cinco estudos com 574 participantes. O objetivo foi apenas avaliar sintomas depressivos, não incluindo pacientes com transtorno bipolar.

Em síntese, essa revisão demonstrou que a administração de N-acetilcisteína melhora os sintomas depressivos e a funcionalidade e apresenta uma boa tolerabilidade. Além disso, a funcionalidade global foi melhor com N-acetilcisteína do que em condições de placebo.

Não houve alterações na qualidade de vida. Com relação a eventos prejudiciais ou indesejáveis associados ao uso de N-acetilcisteína, foram constatados apenas eventos adversos menores (Fernandes et al., 2016).

Em contraponto ao exposto acima, de acordo com o resumo das revisões incluídas neste artigo sobre a aplicação de N-acetilcisteína para transtornos do humor, os resultados ainda são controversos, embora existam evidências promissoras a serem exploradas. Estudos maiores e melhor desenhados serão necessários para investigar com mais profundidade a eficácia clínica da N-acetilcisteína em casos de transtorno depressivo maior (Ooi, Green, Pak, 2018).

Com relação à formulação e dosagem, a N-acetilcisteína utilizada por via oral é considerada segura e bem tolerada, sem efeitos adversos consideráveis. As evidências atuais apoiam-se em seu uso clínico como terapia adjuvante para condições psiquiátricas, concomitantemente com medicamentos existentes e com dosagem recomendada entre 2.000 mg/dia e 2.400 mg/dia (Ooi, Green, Pak, 2018).

Conclusão

Os conceitos desenvolvidos pela psiquiatria nutricional têm se mostrado como uma alternativa promissora, viável e de baixo custo para intervenção em casos relacionados à saúde mental, apresentando-se como uma estratégia coadjuvante à terapia farmacológica, por meio da melhoria de hábitos alimentares e da diminuição do consumo de alimentos ultraprocessados.

Essas abordagens preconizadas pela psiquiatria nutricional possibilitam a redução de mecanismos negativos das etiologias de base dos transtornos mentais. Porém, são ainda recentes, o que impossibilita a generalização desses achados.

Ao interpretar as vias biológicas e metabólicas do eixo intestino-cérebro, citadas neste artigo, foi possível elucidar a conexão bidirecional existente nesse eixo.

Dessa forma, a psiquiatria nutricional ganha inúmeras razões para ter credibilidade no campo da ciência da nutrição, no que tange às condições que favorecem a prevenção e a correção da disbiose, incluindo a melhora das respostas imunológicas e, não menos importante, da permeabilidade intestinal.

O padrão alimentar de um indivíduo, desde sua concepção até a fase adulta, apresenta alta relevância no desenvolvimento e prognóstico de doenças mentais, sendo que as deficiências de micronutrientes específicos estão relacionadas diretamente a comportamentos disfuncionais e ao declínio de saúde mental. Com base nesse raciocínio, cada vez mais os estudos apoiam-se na eficácia da suplementação.

Seguindo essa mesma base de pensamento, pode-se afirmar que existe uma expressiva relação entre doenças psiquiátricas e inflamação sistêmica, sendo que a adoção de uma alimentação com características menos inflamatórias foi associada a uma menor prevalência de depressão.

A intervenção nutricional e o uso de nutracêuticos em doses adequadas e por períodos preestabelecidos, assim como a utilização de probióticos, podem resultar em alterações na microbiota intestinal, interferindo na comunicação bidirecional do eixo intestino-cérebro.

No que tange aos avanços dos estudos de psiquiatria nutricional aplicada ao transtorno de depressão maior, foi possível, por meio do presente estudo de revisão narrativa, apresentar achados quanto à recomendação de dietas e suplementação de nutracêuticos. No entanto, por ser uma nova área em ascensão no campo da nutrição, serão necessários mais estudos futuros.

Nota: texto elaborado com base no artigo “Psiquiatria nutricional: uma nova área em ascensão na nutrição”, apresentado como trabalho de conclusão do Curso de Graduação em Nutrição, da Universidade Anhembi Morumbi, em 2022, sob orientação do Prof. Dr. José Araújo de Oliveira Silva.


Bianca Cardoso Peres / Carolina Oliveira Merola / Glaucia Pummer de Almeida / Julia Nunes Franco

 

Referências bibliográficas

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