Saúde é o estado de completo bem-estar, de maneira ativa e em todos os seus aspectos: físico, mental, social e material.
A dificuldade para atingir esse estado de bem-estar depende da saúde mental da pessoa e de sua capacidade de enfrentar e lutar perante os problemas que se apresentam na rotina de sua vida.
Muitas pessoas nem se dão conta de que raramente desfrutam da sensação de bem-estar, pois seus cérebros assumem continuamente uma atitude de ataque e/ou defesa oriunda de múltiplos fatores que as tornaram aquilo que elas são no atual estágio evolutivo em que se encontram e que podem ser atribuídos aos seus medos e inseguranças.
Nessas circunstâncias, o indivíduo terá dificuldade em estabelecer bases harmônicas de convivência e sobrevivência diante da realidade ambiental existente.
Poderá adotar um roteiro comportamental imaturo durante muito tempo, prejudicando sua capacidade de comunicação, assumindo atitudes contraditórias, deixando de transformar o seu potencial em habilidades produtivas e frequentemente se tornando incapaz de liderar sua própria vida.
Sentindo-se muito ressentido, poderá fazer sérias acusações de que o mundo não quer a sua felicidade.
Efeitos do impulso e compulsão na resolução de problemas
Nossa vida é continuamente influenciada por diversos problemas: políticos, econômicos, financeiros, sociais, religiosos, familiares, afetivos, sexuais, de saúde, comunais, nacionais, raciais, esportivos, éticos, legais, etc.
E, em geral, ficamos incapacitados de encará-los de forma real, porque estamos perturbados por diversas emoções, como ódio, raiva, inveja, ganância, impaciência, tédio ou outras.
Sendo assim, frequentemente podemos ser levados à condição de indecisão compulsiva, reincidência na má escolha de amizades e objetos de amor, inibição para o trabalho ou estudos e incapacidade de integração no ambiente.
Muitas pessoas chegam até a achar que seus rituais compulsivos e suas explosões histéricas são reações normais frente às circunstâncias anormais.
Os estados mentais descritos podem nos levar a adotar atitudes contraditórias. Por isso, é importante não deixar que o caos nos influencie.
Situações conflitantes podem dificultar a identificação de problemas, já que o impulso do ser humano não é o de estudar as causas e a evolução dos problemas e a interação entre eles, e sim o de AGIR!
O impulso é de tentarmos resolver aqui e agora, sem nos aprofundarmos na amplitude dos problemas e sem estudarmos todas as circunstâncias relacionadas a eles, partindo às vezes de premissas falsas, baseadas em informações inexatas.
A ganância, por exemplo, é um dos maiores fatores que nos cegam e nos levam a atitudes precipitadas e, consequentemente, inadequadas.
Quando a falta de exame do problema e as consequentes atitudes inadequadas nos fazem complicar a situação, tentamos pelo menos aparentar ter ou ser mais, o que nos dá uma ilusão de segurança ou grandeza.
Mas isso só provoca um agravamento do problema. Contraímos dívidas, das quais nos tornamos escravos, e/ou entramos em estado de tensão contínua por medo de sermos desmascarados e de não termos conhecimento, poder, posição, riqueza ou algo semelhante àquilo que tentamos aparentar.
Quando essa tensão torna-se insuportável, estamos aptos, quando muito, a adiar, negar, engavetar ou fugir dos problemas.
Só adquirindo a maneira correta de pensar teremos condições de resolver as nossas questões. E para pensar corretamente, é obvio, teremos que nos conhecer profundamente.
Pensamento correto vs. pensar corretamente
Só o pensamento claro gera ação positiva e apropriada à solução dos problemas.
Mas aqui é necessário chamar a atenção sobre a diferença entre o pensamento correto e o “pensar corretamente”.
O pensamento correto é estático. Já o pensar corretamente é flexível e está em contínuo movimento, pois as circunstâncias externas, como também o estado emocional da pessoa, estão em constante mutação.
Em função da permanente variação de condições externas e da resposta emocional a essas variações, é preciso desenvolver uma aguda percepção das causas que provocam as mudanças no estado emocional.
É necessário também ter agilidade mental para a percepção e para dar respostas adequadas às novas circunstâncias, novos fatos ou novos elementos que vão surgindo.
Ou seja, é preciso estar apto a perceber rapidamente quem ou o que é responsável pela mudança da situação e em que sentido essa mudança pode beneficiar (ou prejudicar) os objetivos pessoais.
Embora cada indivíduo seja diferente, em função das diversas circunstâncias em que foi criado – ou das diversas descendências – e que o levam a desenvolver mais umas ou outras características ou aptidões, o potencial mental de todos os seres é idêntico.
Consequentemente, se estudamos e examinamos todos os desvios da mente e do raciocínio em nós próprios e em terceiros, torna-se para nós mais fácil evitar a escravização que surge dos meandros e complexidades das relações humanas.
E, principalmente, estaremos aptos a evitar a provocação de temores e medos nos demais, o que obviamente despertaria de forma imediata o mecanismo de defesa dos outros contra nós.
Quando falta o autoconhecimento, a ação transforma-se em mera atividade, passando a ser apenas a reação de uma mente condicionada em resposta a situações baseadas em ilusões, fantasias, desejos, ignorâncias, conflitos, crenças, superstições, etc.
No mesmo sentido, manter uma ligação exagerada às experiências ou ensinamentos do passado – positivos ou negativos – também dificulta a compreensão de situações do tempo presente, transformando qualquer problema num desafio.
Traduzir o novo em termos do velho é negar o novo e padronizar os problemas.
Além disso, os meios de comunicação – jornal, rádio, TV, cinema, Internet – atacam e confundem a nossa mente com imagens carentes de realidade ou altamente destrutivas.
E para conservar o equilíbrio e o bom senso, torna-se necessária uma defesa contínua contra essas influências.
Enquanto o ser humano não estiver apto a compreender-se, ele caminhará de um conflito para outro.
E nada pode ser criado quando há conflito. A criatividade só é possível quando o conflito cessa.
“Todo mundo faz assim”: a necessidade de integração
A necessidade de integrar-se num ambiente leva o ser humano a justificar vícios ou erros.
Mas o fato de milhões de pessoas compartilharem dos mesmos vícios não os transforma em virtudes. Assim como o fato de muitas pessoas cometerem os mesmos erros não transforma caminhos errados em caminhos certos.
Entretanto, ouve-se continuamente: “mas todo mundo faz isso ou aquilo, todo mundo pensa assim, não é?”
Nesse caso, o que se perde na felicidade autêntica do indivíduo é compensado pela sensação de harmonia com o ambiente.
Enfrentar a luta pela sobrevivência em circunstâncias tão complexas pode levar o ser humano a confundir o objetivo com o recurso – ou até mesmo a esquecer o objetivo.
Por exemplo: queremos ganhar dinheiro para ter uma vida mais agradável, mais divertida, mais livre e mais independente.
O objetivo então é ter a vida agradável. E o recurso que parece necessário é ter dinheiro.
Mas quando ficamos suficientemente ricos para ter a vida livre de preocupações materiais, já esquecemos que o dinheiro foi apenas o recurso e que o objetivo era ter a vida agradável que o dinheiro iria nos proporcionar.
E, assim, continuamos na luta, sem usufruir das nossas possibilidades.
Bem-estar por meio da técnica ACL
A técnica ACL visa a capacitar pessoas que se encontram nessa situação de vida a abrir o foco de sua visão de mundo, para que possam reencontrar seu próprio caminho e trilhá-lo com eficácia, consistência e prazer.
A sigla ACL, que dá nome tanto à técnica quanto à fundação sem fins lucrativos que treina pessoas para que aprendam a aplicá-la em seu dia a dia, significa autorrealização, comunicação e liderança.
A técnica ACL foi criada por Anna Rosenhauss Nabergoi, educadora polonesa, com base em seu vasto conhecimento em biopsicossociologia aplicada e vem sendo utilizada por voluntários da Fundação ACL há décadas, melhorando a vida de milhares de pessoas que buscam sua ajuda no processo de transformação pessoal.
Os tópicos a seguir definem qual a missão, visão e valores da Fundação ACL e as ações implementadas para tornar tudo isso uma realidade.
Missão: desenvolver no indivíduo a capacidade de apropriar-se de seus recursos pessoais, tornando-o autônomo e apto ao uso pleno da liberdade, para que assim possa criar um roteiro de vida produtivo para si e para a sociedade.
Visão: desenvolvimento de líderes produtivos.
Valores: autonomia, liberdade, amor, ética, cidadania e humanidade.
Ação: com a utilização de técnicas e ferramentas que vão ao encontro das necessidades do público-alvo, fazer o que tem que ser feito ou o que pode ser feito para levar os indivíduos a assumirem o papel de cidadãos brasileiros e dessa forma ajudar a formatar gerações de vencedores.
Portanto, o objetivo da Fundação ACL é a formação de líderes que contribuam efetivamente para o bem social e de suas equipes de trabalho.
Mas, para tanto, é necessário que eles próprios desenvolvam sua capacidade de autorrealização, comunicação e liderança.
Autorrealização
Para alcançar a autorrealização, a pessoa precisa desenvolver todas as possibilidades de crescimento a partir de suas necessidades ou daquilo que ela mais deseja, ou seja, a partir de seus objetivos autênticos e não daqueles resultantes das influências do ambiente.
Saber qual é o seu propósito e qual legado quer deixar também é um caminho para que o indivíduo alcance a autorrealização.
Somente a pessoa autorrealizada pode exercer uma comunicação saudável.
Comunicação
Para comunicar-se de forma eficaz e plena, o indivíduo precisa saber ouvir as outras pessoas com base na realidade de cada uma delas e não na sua própria realidade.
A comunicação ou a falta dela pode ter origens diversas.
Quando a pessoa é autorrealizada e exerce uma boa comunicação, o resultado natural é que se torne líder em seu ambiente de trabalho e em sua comunidade.
Liderança
A liderança não consiste na adaptação do indivíduo ao ambiente, mas, ao contrário, na adaptação do ambiente ao indivíduo.
A liderança é reconhecida espontaneamente e não imposta pela força, pois está focada na ação construtiva de motivar as pessoas e melhorar o ambiente ao redor.
A função de um líder é canalizar as energias do grupo que lidera, levando-o a identificar-se com os objetivos da empresa, empreendimento, projeto ou ideia e despertando nos liderados entusiasmo e prazer na execução das tarefas.
As dificuldades a serem enfrentadas por um líder podem ser infinitas. Sendo assim, o sucesso de sua liderança vai depender de seu estado mental, que poderá ser agravado pelo aumento do estresse perante a rotina de sua vida.
O que é ser um líder?
A nossa melhor sobrevivência baseia-se na capacidade de conviver e de compreender a realidade própria (individual), alheia e coletiva, em seus diversos planos.
Podemos, por exemplo, ser “vencedores” em um determinado plano e estagnar (resignarmo-nos) em outro plano.
Cada um de nós pode ser competente em uma determinada área, mas ao mesmo tempo encontrar, nesse posicionamento, eventuais dificuldades maiores ou menores.
Sendo assim, para sermos vencedores, é necessário criar um enredo pessoal conforme nossos desejos e necessidades autênticas.
Entretanto, isso só não basta, pois temos que considerar também o ambiente que nos cerca com as suas várias realidades, necessidades e limitações.
Precisamos aprender a conviver melhor, levando o grupo, a família e/ou a empresa a colaborar com os nossos objetivos.
Isso é, em essência, ser um vencedor, ou melhor, um líder de seu destino, de seu grupo, de sua empresa.
Resumindo: líder é a pessoa que sabe criar seu próprio enredo, com o mínimo de desgaste e o máximo de satisfação.
Dez pontos principais da jornada de bem-estar
Diante de tudo o que foi exposto acima, podemos finalizar resumindo os 10 pontos fundamentais da jornada de bem-estar que visa a capacitar os participantes através da técnica ACL.
1 – Fortalecer a si próprio, aprimorar sua comunicação e desenvolver sua liderança, por meio da conscientização sobre seus reais valores e recursos.
2 – Desenvolver maior eficácia, criatividade e eficiência na execução de tarefas.
3 – Adquirir recursos para uma liderança eficiente e, consequentemente, para o exercício de uma autoridade racional.
4 – Não assumir atitudes derrotistas.
5 – Integrar-se melhor no ambiente, tornando a convivência mais eficaz.
6 – Desenvolver a capacidade de tomar decisões através de aprofundada observação de fatores inter-relacionados e interdependentes.
7 – Saber trabalhar com pessoas dentro de um conjunto organizado e ter tolerância, flexibilidade e autonomia.
8 – Entender a origem de atitudes emocionalmente destrutivas e aprender como modificar seu comportamento.
9 – Formar colaboradores aptos, para que possa assim delegar ações e responsabilidades no futuro com maior eficiência, aumentando a produtividade pessoal e do ambiente.
10 – Reduzir o nível de ansiedade.
Dra. Sumie Iwasa – Médica com especialização em Ortopedia. Fundadora e presidente da Fundação ACL. Sócia-fundadora e diretora da AMBBDORT – Associação Médica Brasileira de Bi-Digital O-Ring Test.