O termo polineuropatia desmielinizante refere-se a um grupo de doenças neurológicas caracterizadas pela destruição ou comprometimento da bainha de mielina, substância que reveste os nervos periféricos e facilita a condução dos impulsos elétricos.
Quando essa bainha é danificada, os sinais nervosos tornam-se lentos ou interrompidos, resultando em sintomas motores e sensoriais.
Pode ser classificada como aguda – como na síndrome de Guillain-Barré, de início rápido e potencialmente grave, ou crônica – como na polineuropatia desmielinizante inflamatória crônica (PDIC), de evolução lenta e progressiva.
As principais causas incluem processos autoimunes (quando o sistema imunológico ataca erroneamente os nervos – exemplos: PDIC e síndrome de Guillain-Barré), fatores genéticos (como na neuropatia hereditária com risco de paralisia por pressão), infecções virais ou bacterianas (que desencadeiam resposta imunológica cruzada), doenças sistêmicas (como diabetes, lúpus ou sarcoidose) e exposição a toxinas ou medicamentos (incluindo quimioterápicos e álcool).
Os sintomas variam em intensidade e localização, mas geralmente incluem fraqueza muscular (especialmente em membros inferiores), dormência e formigamento, dor neuropática, perda de reflexos, dificuldade para caminhar ou manter o equilíbrio, fadiga e cãibras musculares e alterações na coordenação motora.
Esses sintomas tendem a ser simétricos e progressivos, afetando ambos os lados do corpo.
O diagnóstico envolve exames clínicos, eletroneuromiografia, exames de sangue e, em alguns casos, biópsia de nervo.
Os tratamentos da medicina convencional para polineuropatia desmielinizante abrangem imunoterapia (corticosteroides, imunoglobulina intravenosa e plasmaférese), fisioterapia e reabilitação, controle da doença de base (exemplo: diabetes) e uso de medicamentos para dor neuropática.
Descrição de caso clínico
Paciente J. F. G. foi recebido no Ambulatório Filantrópico de Medicina Integrativa da Fundação ACL, em São Paulo, com diagnóstico de polineuropatia desmielinizante, confirmado por meio de exames como a eletroneuromiografia.
A metodologia de avaliação aplicada pelos médicos especializados em medicina integrativa que atuam no citado ambulatório filantrópico permite uma individualização das intervenções terapêuticas, que incluem desde a utilização de suplementos nutricionais até os procedimentos médicos aplicados.
As principais queixas do paciente referiam-se à perda de força muscular e à presença de dores intensas, com predomínio nos membros inferiores, mas acometendo também os membros superiores, com restrição acentuada de autonomia para a realização de tarefas diárias.
O objetivo foi aplicar medidas sensatas para promover o suporte à saúde celular e à fisiologia normal, visando primariamente a obter uma melhora de qualidade de vida, especialmente quando se considera a importância da manutenção da autonomia funcional para o envelhecimento saudável.
Tratamento integrativo
A proposta de tratamento incluiu o uso de suplementos nutricionais, como a vitamina D e de diversos medicamentos fitoterápicos, assim como a utilização de acupuntura, sendo que todos os recursos empregados foram orientados para potencializar seu efeito terapêutico, por meio da metodologia aplicada no ambulatório.
A resposta inicial ao tratamento foi muito favorável, ressaltando-se que o paciente permaneceu algumas semanas na cidade de São Paulo, onde está instalado o local de atendimento, para a realização de um tratamento mais intensivo, continuando depois em seguimento com intervalos mais longos.
O que se pode destacar, com referência a esse caso, é que o uso de recursos simples, mas aplicados de forma otimizada, pode fazer uma significativa diferença na qualidade de vida e na preservação da autonomia funcional do paciente, maximizando assim a possibilidade de um envelhecimento com saúde.
“Quando cheguei ao ambulatório já estava em condições bem limitadas”, relata o paciente. “Tinha dores horríveis nas pernas e nas articulações o tempo todo, que me restringiam a fazer as coisas do dia a dia, como tomar banho sozinho, levantar da cama ou dirigir. Passava a noite em claro, gemendo de dor. Mal conseguia andar ou subir escadas. Ficava praticamente o dia todo sentado no sofá, com fraqueza, vendo a vida passar.
O ambulatório da Fundação ACL foi o primeiro lugar em que busquei atendimento, por indicação de um amigo. Não cheguei a me tratar com outros profissionais.
Quase dois meses após iniciar o tratamento, já me sentia outra pessoa. As dores horríveis que sentia já não existem mais. Tenho ainda algumas dores mais leves e esporádicas, mas consigo fazer tudo sozinho, inclusive dirigir.
Quem me viu antes do tratamento e me vê agora, não acredita na melhora. O tratamento integrativo trouxe-me de volta a uma vida normal”.
Dr. Paulo de Araújo Prado – Diretor científico da AMBBDORT – Associação Médica Brasileira de BDORT e membro da Diretoria Executiva da Fundação ACL.