Conflitos psicológicos vs. conflitos biológicos na visão da nova medicina germânica

Os paradigmas da nova medicina germânica resultam de uma evolução de conceitos que surgiram no início do século XX, com os primeiros fundamentos estabelecidos pela medicina psicossomática.

Para que se possa entender o contexto do ponto de vista histórico, é essencial resgatar a construção do pensamento que predominava na biologia e na genética clássicas, que separavam a condição existencial da psique e do corpo em compartimentos estanques.

Esse tipo de pensamento foi profundamente modificado pela evolução mais recente da chamada psiconeuroendocrinoimunologia (PNEI) e da epigenética.

A nova medicina germânica surgiu numa fase intermediária dessa evolução. Sua criação por Ryke Geerd Hamer estabelece um elo com as origens citadas, mas ao mesmo tempo mantém-se coerente com e no escopo das descobertas atuais da fase pós-genômica em que nos encontramos.

Desde quando Walter Cannon e Hans Selye definiram o conceito de síndrome de adaptação geral (SGA), assim como as fases da teoria do estresse, abriu-se o campo para que Franz Gabriel Alexander, considerado o pai da medicina psicossomática, determinasse o que é conflito.

Hamer trouxe, na sequência, definições ainda mais específicas, de natureza não apenas psicanalítica, mas também filogenética e ontogenética.

Relembrando conceitos: filogenia e ontogenia

Filogenia ou filogênese é a história genealógica de um grupo de organismos e uma representação das possíveis relações entre ancestrais e descendentes de indivíduos desse grupo. Consiste em definir hipóteses sobre os processos evolutivos das espécies biológicas.

E filogenética é o ramo da sistemática científica interessado na reconstrução da filogenia.

Por outro lado, ontogenia ou ontogênese refere-se ao processo biológico de formação do indivíduo, desde a fecundação do óvulo até que o organismo atinja sua forma madura e completamente desenvolvida.

De maneira mais ampla, o termo ontogenia pode também ser usado para se referir ao estudo de um organismo durante todo o seu ciclo de vida, não se restringindo somente ao desenvolvimento embrionário.

Pode-se dizer que a ontogênese recapitula a filogênese, quando se verifica como o desenvolvimento de um embrião humano, por exemplo, retrata o de várias outras espécies, em suas fases de metamorfose.

Resumindo: a ontogenia refere-se à história de um organismo em seu próprio tempo de vida e desenvolvimento, enquanto que a filogenia diz respeito à história evolutiva de uma ou mais espécies, desde seus ancestrais até os seres recentes.

Organismos individuais desenvolvem-se (ontogenia), ao passo que as espécies biológicas evoluem (filogenia).

Distinção entre emoções e sintomas

Como uma ciência natural que colhe elementos por meio do conhecimento científico, a nova medicina germânica pôde estabelecer com clareza os aspectos que distinguem situações de natureza psicológica e biológica.

Dessa forma, houve uma expansão na caracterização de detalhes distintivos entre emoções e sintomas verificáveis de acordo com os vários tipos de conflitos vivenciados.

A partir dessa estruturação, tornaram-se mais evidentes as diferenças entre conflitos biológicos e conflitos psicológicos.

Em linhas gerais, pode-se dizer que os conflitos biológicos são agudos, repentinos, dramáticos, inesperados, análogos em seres humanos e em animais, filogenéticos e arcaicos e geram manifestações evidentes no cérebro e em órgãos e tecidos correspondentes.

Os conflitos psicológicos, por sua vez, são previsíveis e de longa duração, não geram alterações cerebrais e biológicas, requerem tempo de adaptação, ocorrem exclusivamente em seres humanos, provocam mudanças e readaptações e seu conteúdo situa-se num marco de evolução social determinado.

Várias características estruturais trazem outras evidências que demonstram como conflitos psicológicos semelhantes podem assumir características diversas do ponto de vista biológico.

A lateralidade biológica, que é definida na primeira divisão celular após a concepção, é um exemplo dessa condição.

Ela determina em qual lado dos dois hemisférios cerebrais um conflito irá se manifestar. Isso consequentemente estabelece qual lado do corpo será afetado.

Por exemplo: uma mulher destra que passa por um conflito sexual vai responder a essa situação com uma ulceração da cérvix uterina, redução nos níveis de estrógeno e um estado maníaco. Entretanto, se o fato ocorrer com uma mulher canhota, ela desenvolverá angina pectoris e depressão.

Portanto, vê-se como um conflito de mesma natureza pode desencadear diferentes respostas do ponto de vista psicológico e ser determinado biologicamente de forma diversa.

Os conflitos biológicos sempre apresentam componentes psicológicos, mas conflitos psicológicos podem não apresentar nenhum componente biológico.

Compreender o conceito de conflito biológico e vislumbrar as aplicações que isso tem na prática clínica diária é um ponto fundamental para se entender os paradigmas da nova medicina germânica e a interpretação diferenciada que ela traz para o binômio saúde-doença.

Busca natural de sobrevivência vs. doenças e patologias

A nova medicina germânica resgata a definição do ser humano, do ponto de vista biológico, como mamífero.

Essa abordagem oferece uma compreensão lógica e natural sobre a forma como os seres humanos se comportam diante de circunstâncias advindas do processo da vida, a qual diverge da abordagem convencional, que entende e conceitua as reações humanas diante dessas circunstâncias como sendo geradoras de patologias, enfermidades ou doenças.

Esse é um aspecto em se pode vislumbrar claramente um dos diversos vieses de interpretação do pensamento convencional em medicina, que dá base ao raciocínio sobre o binômio saúde/doença.

Já, de acordo com a nova medicina germânica, as circunstâncias que envolvem reações do organismo humano são consideradas nada mais do que uma sequência de respostas naturais e inerentes ao propósito biológico básico de sobrevivência do ser humano.

Dessa forma, Ryke Geerd Hamer verificou que, diante da existência de um fenômeno denominado conflito, ocorrem alterações simultâneas ao nível da psique, do cérebro e do órgão, sistema ou função correspondente àquela área de comando cerebral.

Essa observação foi comprovada pelas alterações em imagens tomográficas cerebrais pesquisadas por Hamer, correlacionadas às histórias clínicas dos pacientes oncológicos que ele acompanhava na sua prática clínica hospitalar.

Uma vez que haja uma situação inesperada, traumática, vivida em um estado de solitude e vista como de difícil ou sem solução, desencadeia-se uma reação tripla (psique, cérebro e órgão/sistema), dependente de como o fato é interpretado pelo indivíduo naquele momento, ativando o cérebro em alguma região correspondente àquela interpretação.

De modo simultâneo a área de correspondência no corpo, relacionada à área cerebral, também desencadeia uma resposta, que tem como objetivo a sobrevivência e a perpetuação da espécie.

Por exemplo: órgãos e tecidos derivados do folheto embrionário mais antigo (endoderma) são controlados pela área mais antiga do cérebro (tronco cerebral) e consequentemente correspondem a conflitos biológicos mais remotos e arcaicos, ligados à respiração (pulmão), à alimentação (órgãos do canal digestivo) e à procriação (próstata e útero).

Para ilustrar essa condição, pode-se dizer que órgãos e tecidos do canal alimentar, que vai da boca ao reto, são biologicamente ligados a conflitos de “bocado”, ou seja, um pedaço ou porção de algum suposto alimento.

Os animais experimentam esses “conflitos de bocado” de modo real quando são incapazes de encontrar comida, quando o pedaço é muito grosso ou grande ou quando fica preso no intestino.

Dado que o ser humano é capaz de lidar com o mundo de um modo figurativo por meio da linguagem e símbolos, ele pode experimentar esses “conflitos de bocado” num sentido transposto, ou seja, num aspecto subjetivo e não apenas objetivo.

Um bocado figurativo pode ser traduzido em um contrato ou uma pessoa não “apanhados”, uma observação ofensiva que não se pode “digerir”, “bocados” que se quer possuir, “bocados” que foram tomados ou retirados ou mesmo “bocados” dos quais não se consegue livrar.

Ainda que não sejam literais, dependendo da intensidade com que são percebidos pelo indivíduo, esses conflitos psicológicos vão desencadear manifestações fisiológicas (conflitos biológicos) nos órgãos e tecidos correlatos (canal digestivo) e na área cerebral que os comanda.

Por outro lado, todos os órgãos e tecidos derivados do mais recente dos folhetos germinativos (ectoderma), tais como epiderme, periósteo, células do sistema nervoso central, revestimento de áreas da boca, do nariz e das artérias e veias coronárias, são controlados pela região mais nova do cérebro (córtex cerebral) e assim referem-se a conflitos mais avançados e complexos: conflitos sexuais (rejeição sexual ou frustração sexual), conflitos de identidade (não saber a que ou a qual lugar pertence), conflitos territoriais (susto ou medo dentro do território, perdas territoriais reais, medo de perder um território, raiva territorial) e conflitos de separação.

Programas biológicos

As variadas alterações fisiológicas desencadeadas pelo corpo para cada situação de conflito biológico, tais como edema, inflamação, febre, infecção, dor e até mesmo tumor e necrose, são respostas naturais em busca de garantir a sobrevivência do indivíduo e/ou preservação da espécie.

Portanto, as manifestações biológicas que se desenvolvem no organismo humano diante de um conflito são reações da natureza, que a nova medicina germânica denomina como programa biológico. Diferentemente, portanto, da medicina convencional que as classifica como doenças/patologias.

Como estratégias naturais de defesa do corpo, na busca por ajudar a resolver o evento traumático, os programas biológicos têm sempre um significado e sentido específicos.

Sendo assim, o organismo pode desencadear uma proliferação celular, por entender que a solução do conflito requer um aumento nas funções do órgão/sistema atingido ou, ao contrário, promover uma necrose tecidual, com o objetivo de reduzir as funções do órgão/sistema para assim alcançar a resolução.

Por exemplo: uma pessoa passa por um conflito de “medo da morte”, ao enfrentar uma situação de fatalidade real ou subjetiva. Biologicamente, o significado do medo da morte remete à condição de não ser capaz de respirar.

Sendo assim, no momento em que esse conflito impacta o cérebro, percebido pela psique, um programa biológico determina que os alvéolos pulmonares comecem a se multiplicar.

O sentido desse aumento do número de alvéolos tem o claro objetivo de incrementar a capacidade de respirar (processar mais oxigênio) diante do medo da morte. Na medicina convencional isso determina um câncer de pulmão.

Os programas biológicos são disparados mediante reações fisiológicas que acontecem na estrutura dos organismos de forma geneticamente determinada.

Nos seres humanos, o contexto emocional é parte obrigatória na percepção de um conflito, mesmo que este não seja real, uma vez que a mente não distingue entre o que é real ou imaginação, apenas desencadeia as reações numa cascata de natureza psiconeuroendócrina.

A gravidade do conflito manifesta-se proporcionalmente à gravidade da patologia que decorre do mesmo.

Sua localização em alguma área no cérebro onde se forma um halo de edema, dando origem a uma imagem tomográfica, também é específica de acordo com o tipo de conflito e de como e o quanto é percebido pela pessoa que o experimenta.

Um mesmo evento visto como conflito pode desencadear situações de diferente gravidade, como uma crise asmática ou um câncer de pulmão, dependendo da intensidade com que é percebido por aquele indivíduo em particular, de acordo com sua estrutura psicoemocional.

Percebe-se que os programas biológicos são disparados dentro da individualidade de cada ser humano. Sendo assim, as manifestações clínicas ocorrem numa diversidade ampla, mas limitada às possibilidades de alterações que se denominam fisiopatológicas na conceituação convencional do conhecimento médico.

Estas se dão como decorrência natural de como os sistemas, tecidos, células e suas funções reagem de acordo com o propósito de sobrevivência.

Essa ação da natureza dá-se em qualquer ser vivo e de maneira igual, com o objetivo de prolongar a vida e restituí-la ao seu estado original sempre que possível.


Dr. Maurílio Brandão – Médico homeopata, acupunturista, especialista em medicina ortomolecular e medicina integrativa e praticante e divulgador da nova medicina germânica no Brasil.