Medicina integrativa: o papel do biomédico

A medicina integrativa surgiu há aproximadamente 20 anos, quando algumas instituições consideradas como referência na área de medicina e filantropia passaram a se reunir nos Estados Unidos para discutir aspectos relacionados à saúde, por entenderem que precisavam de uma nova abordagem na prevenção e tratamento de doenças.

Atualmente essa prática é bastante difundida nos EUA e está presente em diversos centros universitários acadêmicos norte-americanos, como Harvard, Arizona, Massachusetts, Mayo Clinic e Cleveland Clinic, entre outros.

No Brasil, em maio de 2006, o Ministério da Saúde criou a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PIC), normatizando, por meio de uma portaria, a prática de tratamentos complementares, como homeopatia, fitoterapia, acupuntura e outros, pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Desde então as terapias alternativas estão ganhando cada vez mais espaço em hospitais públicos e privados, sendo o Hospital Albert Einstein, através do seu Instituto de Ensino e Pesquisa, o primeiro a oferecer um curso de pós-graduação lato sensu em medicina integrativa.

Interdisciplinaridade

A medicina integrativa propõe a interdisciplinaridade por meio da associação de técnicas e reunião de vários profissionais de áreas e formações distintas, o que permite ampliar a percepção sobre a doença e definir uma melhor linha terapêutica, analisando o indivíduo como um todo: corpo, mente e espírito. Nessa modalidade, pode-se lançar mão tanto da medicina convencional (alopatia), quanto de métodos alternativos e menos invasivos, sempre que possível, como musicoterapia, homeopatia, acupuntura, uso de fitoterápicos, aromaterapia, técnicas de respiração, meditação, quiropraxia, reiki e tai chi chuan, entre várias outros. Porém, sempre com base em estudos criteriosos e evidências quanto à sua eficácia.

A abordagem terapêutica é compartilhada e integrada entre todos os profissionais de saúde envolvidos e inclui, entre outros aspectos, orientações sobre alimentação, exercícios físicos, gerenciamento de estresse e bem-estar emocional.  Isso vai além do manejo de sintomas, englobando todos os fatores que influenciam o processo da doença e da cura.

Muito embora, na medicina convencional, as figuras do médico e do enfermeiro sejam muito disseminadas, o que faz com que a presença de outros profissionais da área de saúde não seja bem compreendida ainda, na medicina integrativa o trabalho desses outros profissionais torna-se essencial, pois através dessa interdisciplinaridade é possível olhar e tratar o paciente como um todo.

E, ao olharmos para o indivíduo como um todo, criamos uma conexão mais profunda que ultrapassa o papel de cura e controle da doença, o que nos permite estabelecer uma empatia e, consequentemente, uma melhor compreensão dos fatores envolvidos.

Dentre esses profissionais da saúde, encontra-se o biomédico, cuja regulamentação da profissão se deu pela Lei nº 6.684, de 3 de setembro de 1979. Segundo o art. 4º da referida lei, ao biomédico compete atuar em equipes de saúde, a nível tecnológico e nas atividades complementares de diagnósticos.

Competências e habilidades do biomédico

A Resolução nº 2, de 18/02/2003, em seu art. 4º, instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação em Biomedicina, dispondo que, dentre as competências e habilidades do biomédico, estão o desenvolvimento de ações para prevenção, promoção, proteção e reabilitação da saúde, tomando decisões que visam à eficácia da força de trabalho, medicamentos, equipamentos, procedimentos e práticas.

Dentre as 35 possíveis habilitações do biomédico, destaca-se a acupuntura, que abrange não apenas a técnica de mesmo nome, como também diversas técnicas diagnósticas e terapias integrativas, segundo a Normativa n° 1 do CFBM (Conselho Federal de Biomedicina), publicada em 10/04/2012.

Além disso, o biomédico, devidamente capacitado, pode atuar como terapeuta ortomolecular, realizando diversos procedimentos, entre eles a ozonioterapia, fitoterapia, cromoterapia, e bioressonância.

Diante da abrangência dessa profissão, fica evidente que a medicina integrativa é uma área onde esse profissional não só se encontra apto a atuar, como tem muito a acrescentar, colaborando com seu conhecimento no campo da saúde a da ciência, através da multidisciplinaridade de sua atuação, que engloba o campo da pesquisa, prevenção, tratamento e diagnóstico de inúmeras doenças e disfunções.

Com essa visão macro, encontra-se perfeitamente chancelado para perseguir a conquista de adoção de políticas públicas de saúde que tenham como objetivo a promoção da saúde e bem-estar.


Marília Medeiros de Araújo – Biomédica esteta, graduada pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, especialista em biomedicina e saúde estética, com vasta atuação na área de medicina nuclear, coordenadora de equipes e ministrante de cursos.