Iridologia e microsemiótica: aspectos físicos, emocionais e mentais

A iridologia é o estudo da íris por meio da observação de cores e pigmentações, bem como de sinais, estrias, fendas e anéis, que levam à identificação de pontos fracos e fortes da saúde do ser humano através dos olhos.

Constitui-se, atualmente, em um método propedêutico que permite conhecer a constituição geral e parcial do indivíduo, seus estágios evolutivos e as alterações que acometem um ou mais órgãos do corpo humano, aspectos que são expressos e refletidos na topografia irídea, permitindo uma abordagem física, mental e emocional do ser vivo.

Como prática integrativa preventiva, a iridologia é uma ferramenta que proporciona ao terapeuta a oportunidade de auxiliar o paciente a lidar com seus problemas, atuando diretamente nos órgãos e sistemas mais frágeis, que em muitos momentos serão a causa de um desequilíbrio.

Como surgiu a iridologia

A iridologia remonta aos primórdios da humanidade. Achados arqueológicos comprovam que os caldeus e babilônios deixaram inscrições em pedras sobre a íris e sua relação com o restante do corpo. No antigo Egito, foram encontradas cerâmicas com pintura de olhos e sinais iridológicos. Na Grécia Antiga, Hipócrates, pai da medicina, também se interessou por esse estudo com a finalidade de diagnose, como mostram os registros da Escola de Medicina de Salerno.

A partir de 1670, foram surgindo estudos mencionando os principais sinais iridológicos, como o de Phillippus Meyens, em Dresden, que publicou na sua obra Chiromatic Medica o primeiro mapa da íris.

Já em 1695, em Nuremberg, Joahann Eltholtz escreveu estudos científicos sobre sinais na íris e, passados 91 anos, Cristian Haertels, em Goettinger, elaborou um trabalho fundamental sobre os estudos de Meyens e Eltholtz, chamado De oculo et signo (o olho e seus sinais), que causou muita polêmica na época.

Porém, coube ao médico Ignaz Von Peczely, na Hungria, o mérito de codificar a iridologia. Seu interesse pelo tema surgiu após um incidente ocorrido quando ele tinha apenas 10 anos de idade. Ao fraturar acidentalmente uma das patas de uma coruja, verificou o aparecimento de uma marca na íris da ave, no ponto correspondente ao número seis de um relógio (imaginando-se a íris, que é redonda, subdividida como se fosse um relógio). Ao tratar a fratura, notou que o sinal mudava de característica à medida que ela se consolidava, marcando indelevelmente a íris da coruja.

Embora essa observação tenha partido de uma casualidade, é prudente lembrar o relato de Jung, ao afirmar que inexistem acasos e, sim, sincronicidade. Assim aconteceu com a descoberta da lei da gravidade, por Isaac Newton, bem como da fórmula do núcleo benzênico, por Kekulé. O mesmo ocorreu com a iridologia e a irisdiagnose, quando o inconsciente coletivo utilizou-se de pessoas e situações, como Peczely e a coruja.

Posteriormente, já formado como médico, Peczely observou haver uma relação entre os órgãos do corpo humano e a íris, elaborando um mapa irídeo com representações topográficas.

Em 1881, ele publicou Discoveries in the field of natural science and medicine: Instruction in the study of diagnoses from the eye e, em 1886, Die homeopatische monats blatter, um mapa iridológico.

Na mesma época, o pastor homeopata Nils Liljequist publicou, na Suécia, um trabalho independente sobre o assunto, designado On degendiagnoses (Diagnose from the eye), que incluía um mapa com desenhos em preto e branco, referindo-se à íris como sendo formada por inúmeras fibras nervosas (fato hoje comprovado), que recebem informações de todo o sistema nervoso, provenientes do restante do organismo. Isso faz do olho o “espelho da alma” e também a “janela do corpo”, por onde pode-se “ver” a constituição do indivíduo.

Outros estudos científicos e ensinamentos sobre a íris foram publicados por autores de diversos países, como Noruega, Alemanha e Estados Unidos.

Em 1952, o Dr. Bernard Jensen, dos EUA, escreve o livro Science and Practice of Iridology, enquanto R. J. Bourdiol publicava, na França, as Bases Fundamentais do Iridodiagnóstico.

Os estudos avançaram mundo afora, com muitas obras publicadas na Espanha, França e Itália.

A cronologia leva-nos então a 1993, quando Daniele Lo Rito publicou Il Cronorischio, nuove acquisiozine in Iridologia, e a 1995, quando Albert Dardanelli Ackermann publicou Iridologia Moderna Ilustrada, em Madri, na Espanha.

Muitos outros estudos aqui não citados foram relevantes para a consolidação desse método, inclusive os de grandes autores brasileiros. Dentre os autores nacionais, podem ser citados, em especial, o Dr. Celso Batello, médico anestesista e o Dr. Clodoaldo Pacheco, doutor em naturopatia, com especialização em iridologia clássica europeia e em fisiognomia, ambos com sólida contribuição literária e grande atuação na organização de congressos e cursos.

A microsemiótica irídea

A iridologia revela informações acerca da nossa saúde, predisposições e órgãos de choque. Ao traçar perfis emocionais e comportamentais, permitindo ao indivíduo obter maior conhecimento de si, surge a especialização da iridologia, conhecida como microsemiótica irídea ou contemporânea.

Essa ciência utiliza-se dos mesmos estudos de sinais iridológicos praticados na iridologia, mas buscando uma orientação comportamental, emocional e espiritual, com foco na análise psicológica e não física.

Seu principal objeto de estudo é a Banda do Sistema Nervoso Autônomo (B.S.N.A), que constitui a estrutura de análise do tempo e de identificação de memórias traumáticas. Os sinais que tocam essa área revelam o sentimento percebido pelo indivíduo em relação ao evento traumático, com o firme propósito de permitir o entendimento e aprofundamento na psique humana.

Sobre o surgimento da microsemiótica irídea, não se percebe exatamente uma linha do tempo com datas de fundação ou descobrimento, pois essa área de conhecimento está contida no amplo universo da iridologia.

Contudo, merecem destaque os pioneiros nesse campo, com suas pesquisas e grandes contribuições. São eles os médicos italianos que formam o tripé de sustentação da iridologia microsemiótica: Dr. Danielle Lo Rito, médico otorrino com especialização em homeopatia e iridologia, Dr. Vicenzo Di Spazzio, médico com especialização em psicossomática e Dr. Silvano Sguario, médico psiquiatra com especialização em medicina ortomolecular. Suas contribuições, mundialmente conhecidas, são relevantes para o aperfeiçoamento da microsemiótica como ciência consolidada frente a profundas questões emocionais humanas.

O Dr. Danielle Lo Rito é atualmente tido como um dos grandes ícones mundiais na área de pesquisas, palestras e cursos sobre a análise irídea. É considerado o criador do método cronorischio, tornando-se referência em estudos sobre a biografia humana e aspectos emocionais relacionados aos sinais irídeos.

Por sua vez, o Dr. Vicenzo Di Spazzio é responsável pela obra AgeGate Therapy, técnica de psicologia energética para tratamento dos efeitos de eventos perturbadores sobre a resiliência, e pelo desenvolvimento de técnicas psicorestauradoras para aumentar a segurança interior.

Já o Dr. Silvano Sguario é considerado o pai da aplicação das diáteses e do eneagrama na análise da íris.

Abrangendo o tempo e o espaço, a microsemiótica observa registros desde a fecundação até os dias atuais do indivíduo, assim como suas principais características físicas, emocionais e comportamentais, permitindo verificar suas predisposições para determinadas doenças, hereditárias ou decorrentes de traumas emocionais, através do estudo da constituição (cor), forma, “DNA” ou OPI (orla pupilar interna) e sinais no colarete (B.S.N.A.).

Também conhecida como iridologia contemporânea, a microsemiótica é uma ciência que permite ao terapeuta orientar seus pacientes para o crescimento e conhecimento de si, identificando as polaridades dominantes (hemisfério cerebral direito ou esquerdo), tendências e características profissionais, formas de aprendizagem, ansiedade, síndromes, padrões de relacionamentos entre casais: padrão dos complementos, padrão dos corações solitários, padrão dos semelhantes, padrão do amor e ódio e padrão de mudança.

A microsemiótica possibilita também o reconhecimento e a localização de traumas, identificando em que idade (tempo) a pessoa registrou os principais eventos sofridos e tratando-os nas vértebras da coluna (espaço), de forma a evitar que as patologias se desenvolvam.

Qualquer alteração ocorrida no organismo é refletida na íris.

 Metodologia

A consulta de iridologia/microsemiótica é um procedimento não invasivo e indolor. O diagnóstico pode ser feito mesmo através de foto do olho, sendo que para isso o profissional de saúde se utiliza de câmera fotográfica, desde a mais simples até equipamentos ligados a câmeras digitais ou aparelhos eletrônicos, incluindo o iridoscópio, um equipamento desenvolvido especialmente para o uso em iridologia.

É fundamental ouvir o paciente e suas queixas, bem como questões relevantes entrelaçadas ao seu estado de saúde.

O profissional irá observar a íris do paciente e procurar por desenhos, buracos, pontos ou sinais de cores, avaliando elementos como a Banda do Sistema Nervoso Autônomo (B.S.N.A.), o ângulo de Fuchs (rebaixamento ou elevação), a constituição, a localização dos órgãos, a OPI (orla pupilar interna) e os sinais irídeos: lacunas, criptas, raios solares, anéis de contração/tetânicos, gerotoxon (anel sódico), manchas, pigmentos, pontos de defeitos, rosário linfático, fibra álgica, fibra transversal, fibra prateada, borda irídea externa, pigmentos orogenéticos, pontes e regiões da pele.

Assim, o terapeuta avaliará a área da íris, correlacionando-a com a zona correspondente no corpo humano, para, de acordo com sua prática de atendimento, identificar o estado de saúde do cliente, abrangendo tanto problemas físicos quanto emocionais, e então definir o tratamento mais satisfatório.

Portal do tempo: como a microsemiótica identifica datas traumáticas e define formas de tratamento

A análise do tecido da íris, através da microsemiótica irídea, revela a memória traumática (AGER – AgeGate Emotional Release) em forma de “frame” (imagem mental), com os respectivos elementos presentes.

Por meio dessa avaliação, é possível trabalhar crenças limitantes referentes a si mesmo, sensações de abandono e impotência ou imagens agressivas e incontroláveis, acompanhadas de grande sofrimento ou compulsões. Esses são alguns dos ingredientes que compõem a memória traumática.

Segundo pesquisas, as memórias são processadas durante o sono REM, na fase onírica.

Machado (1993) esclarece sobre as influências do sistema límbico na memória e elucida dados importantes sobre a ação dos estímulos na explanação sobre conexões aferentes. Mais frequentemente, entretanto, as emoções são desencadeadas pela entrada no sistema nervoso central (visualizado na pupila) de determinadas informações sensoriais. Assim, por exemplo, informações visuais, auditivas, somestésicas ou olfativas, que sinalizem perigo, podem despertar o medo quando se está em desequilíbrio.

Há evidência de que todas essas informações sensoriais têm acesso ao sistema límbico, embora nunca diretamente, mas de forma ramificada. A função mais conhecida do sistema límbico é a regulação e o equilíbrio do sistema nervoso autônomo, que na microsemiótica irídea é visualizado por meio da Banda do Sistema Nervoso Autônomo (B.S.N. A.), e dos processos motivacionais essenciais à sobrevivência da espécie e do indivíduo, como fome, sede e sexo.

O fato é que as mesmas áreas encefálicas que regulam o comportamento emocional também regulam o sistema nervoso autônomo (B.S.N.A.). Isso se torna mais significativo ao considerarmos que as emoções se expressam, em grande parte, através de manifestações viscerais (por exemplo: o choro nos seres humanos ou o aumento de salivação e o eriçar de pelos em gatos com raiva), sendo geralmente acompanhadas de alterações da pressão arterial, do ritmo cardíaco ou do ritmo respiratório.

Essas alterações somáticas, juntamente com as funções irídeas, representam as verdadeiras ações que unem nossos trabalhos, não só nas questões relativas a traumas declarados (traumas conscientes causados por acontecimentos fora do nosso controle) como também a sistemas físicos, equilibrando as somatizações e os fenômenos psicofísicos em geral.

Parte significativa dos distúrbios patológicos e psicológicos com que nos deparamos todos os dias na prática clínica – depressão, ansiedade, desordens na alimentação e suas consequências, alcoolismo, consumo de drogas – possui sua origem em eventos traumáticos.

A microsemiótica irídea, diferentemente da iridologia tradicional, consiste em estudar os microsinais iridológicos em tempo real, trabalhando principalmente as questões que envolvem a psique humana.

Nessa técnica, realiza-se uma avaliação minuciosa da B.S.N.A, podendo ser verificados os momentos na vida da pessoa em que ocorreram traumas emocionais, a partir do período pós-natal e até mesmo do período pré-natal.

Por meio de sinais específicos, é possível verificar a data em que o fato ocorreu e adequar a fala do terapeuta para melhor comunicação com seu interagente.

Nessa avaliação, são ainda verificadas as potencialidades que muitas vezes o paciente não conhece, encontrando as principais energias que influenciam o ser humano (por exemplo: energia familiar, energia do prazer, energia cósmica, etc.).

Através do eneagrama, outra ferramenta fantástica da microsemiótica, conseguimos trabalhar as compulsões do paciente, posicionando-o melhor em sua área de atuação profissional.

O importante é entender que por meio da microsemiótica irídea é possível compreender que um distúrbio de um determinado nível pode ser simplesmente daquele nível, sem dizer respeito aos demais, ou então, pode estar relacionado a outros. Se existirem laços informativos entre um nível e outro, para melhorar a situação física, emocional ou espiritual do paciente, deve-se agir contemporaneamente sobre os níveis comprometidos.

A microsemiótica irídea, medicina “do quando”, executa a tarefa de facilitar a libertação e reinterpretação do trauma emocional por estimulação direta dos pontos da coluna vertebral (idade – tape), com a aplicação da terapia Flor de Íris (AGER = reflexologia antitraumática), para parar o mecanismo entrópico que leva à doença.

Análise irídea por microsemiótica: estudo de caso

Dados da paciente: sexo feminino, 34 anos de idade, parto normal, profissão – tradutora, religião – cristã, formação – nível superior em Letras/educadora. Medicação em uso: florais Flor de Íris. Não apresenta problemas físicos de saúde. Queixa-se de ansiedade e dificuldade de concentração (medos).

Análise da íris: íris direita dominante, pupila com dilatação normal (sem observação de miose ou midríase) e ângulo de Fuchs baixo.

Região do superego: apresenta muitos raios solares, pequenos e grandes e com profundidade no primeiro atendimento. Após o tratamento (Figuras 2 e 3), observou-se uma boa redução na profundidade dos sinais e pequenos pontos de defeito. Esses sinais geram bloqueios, em razão da paciente ser muito rígida e das barreiras que ela gerou. Como consequência, tem dificuldade de mudar de ideia e tomar novas decisões.

Região mediastínica (ego): apresenta muitas lacunas e pontos de defeitos, que representam grande necessidade de ouvir a opinião dos outros e refletir sobre isso. Como encontra dificuldade em aceitar opiniões alheias e acredita estar sendo enganada, entra em conflito emocional, sentindo-se usada pelas pessoas e até mesmo deixando de acreditar nelas e fechando-se em seu próprio mundo. Devido ao fato de se sentir enganada, não projeta novos planos. Tem dificuldade de evoluir no emprego e acha que os outros não acreditam em seu potencial. Quando tenta evoluir, tem muito medo por acreditar que alguém vai tomar seu lugar no trabalho.

Traumas: aos seis anos de idade, descobriu que uma pessoa da família não a aceitava e registrou o trauma da rejeição, visualizado por uma introflexão (Figura 1).

Traumas - identificação com a iridologia
Fig. 1 – Trauma de rejeição sofrido pela paciente aos seis anos de idade e visualizado na iridologia/microsemiótica por uma introflexão.

Uma marca deixada nessa idade (seis anos) pode trazer de volta memórias de raiva, ressentimento e culpa e impactar no momento presente, reativando o medo de não ser perfeita. O importante é que existe uma forma de reinterpretar o evento e mudar o sentimento de rejeição (Figuras 2 e 3).

Traumas - tratamento com iridologia
Figs. 2 e 3 – Irís de paciente com trauma de rejeição, ANTES e DEPOIS do tratamento.

Tratamento: O tratamento visa a empoderar a paciente a acreditar em seu potencial, buscando o seu desenvolvimento pessoal na vida. No primeiro atendimento, foi aplicada a terapia do portal do tempo e efetuado o tratamento com florais Flor de Íris. Após uma semana, foi realizada a decodificação biológica de traumas.

Para a realização da terapia do portal do tempo, é aconselhado colocar a esfera de prata com o uso do gel portal nas vértebras dos seis (idade em que ocorreu o trauma da paciente) e 34 anos (idade atual da paciente), conforme mostra a Figura 4.

Traumas - terapia do portal do tempo
Fig. 4 – Terapia do portal do tempo para tratamento de traumas.

Decodificação biológica de traumas

A decodificação biológica de traumas pode ser aplicada como recurso complementar de tratamento às terapias convencionais, pois a pessoa não precisa necessariamente se lembrar do evento traumático e nem do trauma para ter suas emoções desbloqueadas.

Com o uso da decodificação, o terapeuta consegue identificar o trauma, a idade do paciente quando ele aconteceu e os conflitos emocionais associados, realizando sua liberação já na primeira sessão.

A técnica baseia-se no microtoque de pontos nos pés, com a utilização de uma ponteira metálica, para desbloquear o órgão afetado pelo trauma sofrido e fazer o organismo fluir de forma equilibrada, evoluindo para a homeostase corporal.

Observou-se, através de pesquisas e atendimentos terapêuticos, uma melhora significativa do quadro traumático em pessoas atendidas por meio da decodificação biológica de traumas, resultando na recuperação de sua saúde física e emocional.

Além da reação ao toque, o trauma também pode ser verificado na íris humana.

Esses dois procedimentos (toque na região reflexa dos pés e estudo da íris) garantem ao terapeuta um tratamento assertivo, provendo qualidade de vida aos pacientes, que tratam seus traumas com a eficácia dessas duas técnicas, pela liberação de bloqueios emocionais, para que possam ter uma vida plena e alcançar a homeostase do corpo.


Janine Soares Camilo – Master em Microsemiótica Irídea, bacharel em Cosmetologia e Estética pela Unitri – Universidade Integrada do Triângulo e pós-graduada em Acupuntura pelo IPGU – Instituto de Pós-Graduação de Uberlândia e em Homeopatia pela Faculdade Inspirar.